Uma gravação de 2022 voltou a circular nas redes sociais mostrando a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha declarando voto no então candidato Lula no segundo turno das eleições daquele ano. O vídeo ressurgiu após a magistrada determinar, na quinta-feira (1º), que a emissora não poderia exibir de forma destacada um púlpito vazio identificado com o nome de candidato ausente em um debate presidencial.
A decisão de Estela foi tomada depois de um pedido da coligação de Lula. O presidente havia informado na quarta-feira (30) que não participaria do debate marcado para a noite de quinta. Segundo a emissora, a determinação alterou regras que haviam sido previamente acordadas entre os partidos e contribuiu para o cancelamento do programa.
Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país
A declaração foi proferida em 2022, quando Estela atuava como advogada, e voltou a ganhar circulação nas redes após a decisão judicial. A magistrada tomou posse como ministra efetiva do TSE em agosto de 2025, para um mandato de dois anos.
A liminar de Estela proibiu a emissora de exibir de forma destacada a cadeira vazia identificada com o nome do candidato ausente e também impediu perguntas dirigidas a quem não comparecer. A magistrada determinou ainda que os demais candidatos não poderiam simular interações com o ausente. Para a ministra, a ausência deveria apenas implicar na perda da oportunidade de participar daquela rodada do debate, sem outras consequências que pressionassem o candidato a comparecer.
Na análise de Estela, permitir manifestações dirigidas a um candidato ausente, sem possibilidade de resposta simultânea, pode desequilibrar a disputa. A magistrada também considerou que a repetida exposição da cadeira vazia, associada ao nome do candidato, pode ultrapassar a mera informação sobre o não comparecimento.
A regra original, segundo a emissora, havia sido assinada pelos partidos participantes e previa que o espaço destinado a um candidato ausente permanecesse vazio, identificado com uma placa. Após as decisões judiciais, a emissora anunciou o cancelamento do debate. Além da decisão de Estela, outra determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes permitiu a participação do candidato à Presidência Renan Santos (Missão) no encontro organizado pela emissora.
Estela Aranha chegou ao TSE pela classe dos juristas. Em julho de 2025, ela foi nomeada por Lula a partir de uma lista tríplice encaminhada pelo STF. Antes de integrar a Corte, ocupou cargos no governo federal: foi secretária de Direitos Digitais no Ministério da Justiça e Segurança Pública durante a gestão de Flávio Dino e atuou como assessora especial da Presidência da República. Sua trajetória profissional concentra-se em direito digital, proteção de dados e inteligência artificial, com passagem por um conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre IA e atuação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
