O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descartou nesta terça-feira (21) a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta ao anúncio de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Durante uma entrevista a jornalistas, Alckmin destacou que o governo brasileiro sempre buscará negociar.
“A ideia não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos. Então a reciprocidade é [dizer]: olha, nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, declarou o vice-presidente.
Mais cedo, Alckmin, juntamente com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participou da primeira rodada de reuniões com representantes dos setores produtivos afetados pela tarifa adicional. Segundo o ministro, com base nos dados de 2024, cerca de 18% das exportações brasileiras serão impactadas pela sobretaxa.
A tarifa adicional de 25% foi anunciada pelos Estados Unidos na última quinta-feira (16) e atinge diversos produtos brasileiros. Entretanto, alguns itens, como etanol, carne bovina e café, ficaram isentos da sobretaxa.
A aplicação da sobretaxa foi realizada sob a autoridade da Seção 301, que investigou práticas brasileiras nas áreas de comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.
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Em uma conversa por telefone com jornalistas na quarta-feira (15), Jamierson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), afirmou que a investigação concluiu que o Brasil adotou diversas medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.
Entre os principais problemas apontados pelos Estados Unidos estão:
- Ordens judiciais sigilosas que forçaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
- Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
- Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, o que gera desvantagem competitiva para empresas norte-americanas;
- Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade para produtos norte-americanos;
- Falhas no combate à corrupção;
- Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam os produtores agrícolas dos Estados Unidos.
Greer também indicou que as tratativas com o Brasil têm sido difíceis. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos várias propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, afirmou.
O chefe do USTR descreveu a postura brasileira como um “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, embora o Brasil tenha se mostrado disposto a discutir todos os temas, isso, para o governo norte-americano, não representa uma “concessão”.
