A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a uma série de produtos brasileiros gera preocupações sobre a competitividade da indústria nacional. Esse aumento tarifário não afeta apenas a quantidade e o valor dos negócios, mas também pode impactar toda a cadeia produtiva, que já enfrenta um cenário de dificuldades.
O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Oliveira Jr., destaca que a alta das tarifas comerciais representa um obstáculo a mais para uma indústria que luta para recuperar seu dinamismo. Ele aponta que, desde o início de 2024, o Brasil caiu da 33ª posição para a 69ª no ranking internacional de desempenho industrial da Organização das Nações Unidas, enquanto o crescimento global da manufatura supera o desempenho da indústria brasileira.
A tarifa elevada pode ainda chegar a 37,5% para alguns produtos. Apenas dois dias após a aplicação da taxa de 25% direcionada exclusivamente ao Brasil, uma nova taxa de 12,5% foi introduzida para sessenta países, incluindo o Brasil. Esse cenário levanta preocupações sobre a capacidade do país de se manter competitivo no mercado global.
“O país vem enfrentando dificuldades para aumentar produtividade, investir em inovação e ampliar sua participação nos segmentos industriais de maior intensidade tecnológica, justamente aqueles que mais crescem no cenário internacional”, afirma Oliveira Jr.
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Ele salienta que a recuperação da capacidade produtiva e a modernização das cadeias industriais exigem investimentos contínuos e um planejamento de médio e longo prazo. Apesar do lançamento do programa Nova Indústria Brasil, Oliveira Jr. acredita que a perda de posições da indústria brasileira é resultado de uma combinação de fatores, tanto conjunturais quanto estruturais.
Entre os principais desafios estão o alto custo do crédito, a desaceleração da atividade industrial nos últimos anos, a baixa taxa de investimento produtivo e a dificuldade histórica de elevar a produtividade em um ritmo comparável ao de economias mais avançadas.
Com esses novos desafios impostos pelas tarifas dos EUA, a indústria brasileira se vê em uma encruzilhada, onde a necessidade de inovação e adaptação se torna cada vez mais urgente para garantir sua sobrevivência e competitividade no cenário global.
