O mercado editorial brasileiro fechou 2025 em alta, com crescimento real de 3,3% mesmo descontada a inflação. Livrarias lideram o avanço nas vendas de exemplares no país.
As editoras brasileiras vivenciaram um cenário otimista em 2025, com um aumento significativo nas vendas ao mercado. De acordo com a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), em parceria com a Nielsen BookData, as vendas apresentaram uma alta nominal de 7,7%, além de um crescimento de 6,5% no volume de exemplares comercializados. Quando levada em conta a inflação do período, o crescimento real foi de 3,3%, indicando uma demanda consistente por livros entre os brasileiros.
Todos os subsetores do mercado editorial mostraram resultados positivos, com destaque para as Obras Gerais, que tiveram um crescimento nominal de 8,7% (4,3% em termos reais). Outros segmentos, como Didáticos, Religiosos e CTP, também apresentaram desempenhos favoráveis, com aumentos de 3,2%, 2,4% e 1,9%, respectivamente, em termos reais. Esses dados refletem uma recuperação disseminada em diferentes perfis editoriais.
Entre os gêneros, os maiores avanços no faturamento foram observados em Didáticos e Ficção Adulto, ambos com um crescimento de 12%. Seguiram-se os gêneros Religiosos, com 7%, Infantil e Juvenil, com 5,3%, e Não Ficção Adulto, com 2,6%. Essa diversidade de crescimento evidencia o apetite dos leitores por diferentes tipos de conteúdo.
Um fator relevante que se destacou na pesquisa foi a importância crescente das livrarias no mercado editorial. Em 2025, as vendas para este canal aumentaram 6,1 pontos percentuais em volume de exemplares, resultando em um acréscimo de 4,3 pontos percentuais na participação das livrarias no faturamento das editoras. Esse crescimento reforça o papel fundamental das livrarias na comercialização de livros.
“Os resultados mostram que o setor está retomando uma trajetória de crescimento, com avanço nas vendas ao mercado e desempenho positivo em todos os subsetores. Esse movimento já foi sinalizado pela pesquisa Panorama do Consumo de Livros no Brasil, divulgada no início deste ano, e agora se confirma nos dados do mercado”, afirmou Sevani Matos, presidente da CBL.
Dante Cid, presidente do SNEL, também comentou sobre os dados:
“É muito satisfatório ver esse crescimento confirmado e consolidado nas duas pontas do setor, das editoras ao varejo. Gostaria de destacar o crescimento pelo segundo ano consecutivo em CTP, que vinha enfrentando quedas anteriormente, o que aponta para um momento empolgante para o mercado editorial.”
O ano de 2025 também foi positivo para os conteúdos digitais, que apresentaram um crescimento nominal de 10%. Após considerar a inflação, o aumento foi de 5,5%. Pela primeira vez, o gênero ficção liderou o ranking de unidades vendidas na modalidade à la carte. As bibliotecas digitais tiveram um desempenho notável, gerando cerca de R$ 225 milhões em faturamento, com um crescimento de 24% em relação a 2024. O modelo de assinatura também avançou de forma expressiva, especialmente nas assinaturas de e-books, que registraram um aumento de 63%. Em 2025, os conteúdos digitais representaram 9% do faturamento total das editoras.
