O desdobramento do caso “Dark Horse”, que envolve conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, provocou uma mudança significativa no cenário eleitoral brasileiro. Uma nova pesquisa realizada pelo Meio/Ideia, divulgada na última quinta-feira, 28 de maio de 2026, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu sua trajetória de queda nas intenções de voto, enquanto o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, enfrenta um desgaste considerável.
Os cientistas políticos do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP analisaram os dados e concluíram que a melhora do presidente Lula não é reflexo de uma nova onda de apoio à sua gestão, mas sim uma resposta à rejeição crescente ao seu adversário. Beto Vasques, analista político e coordenador do laboratório, destacou que a pesquisa revela duas más notícias para Flávio Bolsonaro: “Lula abre uma folga de aproximadamente 4% nas simulações de segundo turno”, afirmou. Além disso, Vasques ressaltou que “mais de um terço do eleitorado não sabe ou sabe muito pouco sobre o escândalo”, o que pode agravar a situação do senador nas próximas semanas.
O cientista político Hilton Fernandes também comentou os dados da pesquisa, afirmando que eles corroboram levantamentos anteriores, como o da Datafolha. “O candidato do PL perde intenções de voto ao mesmo tempo em que Lula interrompe a queda e parece esboçar uma recuperação”, disse. Segundo Fernandes, essa dinâmica pode indicar que a imagem positiva de Lula está inversamente relacionada à força de seu oponente, além de ressaltar a “forte estabilidade no voto de Lula nos cenários de segundo turno”.
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Jairo Pimentel, outro especialista do laboratório, alertou que, apesar do cenário favorável ao Planalto, é preciso ter cautela. Ele observou que a posição competitiva de Lula, que aparece como ligeiramente favorito, está mais ligada a erros da oposição do que a uma mudança estrutural na popularidade do governo. “O dado central é que Lula avança sem que apareça, na mesma proporção, uma onda claramente governista”, afirmou Pimentel, sugerindo que a recuperação de Lula pode ser uma resposta ao aumento de risco percebido na alternativa oposicionista.
“A leitura mais prudente é que parte do eleitorado pode estar reagindo ao aumento de risco, percebido na alternativa oposicionista, abrindo espaço para Lula recuperar vantagem, sem romper seu teto político.”
