Butiques e lojas independentes fazem curadoria e promovem experiência de compra para as classes A e B, que respondem por 52,3% do consumo de vestuário. O segmento conecta marcas a diferentes regiões do país.
O varejo multimarca de moda voltado ao público das classes A e B movimenta cerca de R$ 49 bilhões por ano no Brasil. O dado revela a dimensão econômica de um canal formado em grande parte por butiques e lojas independentes, que exerce papel estratégico na distribuição de marcas em diferentes regiões do país.
Embora as classes A e B representem 23,6% da população brasileira, elas correspondem a 52,3% de todo o consumo de vestuário. Essa concentração de gastos explica a importância das lojas multimarcas especializadas, que fazem curadoria de produtos, constroem a experiência de compra e conectam marcas a consumidores com maior poder aquisitivo.
O número integra a pesquisa ‘Melhores Marcas para se Vender’, realizada com 711 lojistas multimarcas de moda feminina e masculina em todo o país. O levantamento aponta que, nesse segmento, a notoriedade da marca entre os consumidores não é o único fator de sucesso: giro de estoque, margem, atendimento comercial, política de preços, logística e qualidade do pós-venda também influenciam a decisão dos lojistas em manter ou ampliar a presença de um fornecedor nas prateleiras.
“O canal multimarca voltado ao público A/B combina poder de consumo, curadoria e relacionamento próximo com o cliente. Para as marcas, conquistar espaço nessas lojas significa acessar um mercado de quase R$ 50 bilhões, mas também atender a um varejista bastante seletivo, que precisa equilibrar desejo, margem e eficiência operacional”
O trecho acima foi declarado por Marcelo Prado, economista e diretor do IEMI.
No panorama mais amplo do setor, o varejo brasileiro de vestuário movimentou R$ 312,5 bilhões em 2025, com a comercialização de 6,3 bilhões de peças. Desse total, as linhas feminina e masculina responderam por R$ 140 bilhões e R$ 109 bilhões, respectivamente. Esses números mostram que, embora o segmento A/B represente uma fatia menor da população, sua participação no consumo gera impacto relevante sobre o faturamento do setor.
Para os lojistas multimarcas, o desafio é conciliar seleção de produto e experiência de compra com métricas de negócio, como margem e eficiência logística. Para as marcas, a entrada e a permanência nesse canal exigem atenção a elementos além da visibilidade: políticas comerciais bem definidas e pós-venda confiável são diferenciais apontados pelo estudo.
Fundado em 1985, o IEMI – Inteligência de Mercado é referência em levantamentos e análises para os mercados têxtil, calçadista e moveleiro, oferecendo dados numéricos e qualitativos que apoiam o planejamento estratégico das empresas desses setores.
