Trump na Venezuela: Sanders e Kamala Harris criticam ofensiva A recente operação militar dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro provocou forte reação de duas das principais lideranças democratas, o senador Bernie Sanders e a ex-vice-presidente Kamala Harris, que classificaram a iniciativa de Donald Trump como ilegal e movida por interesses em petróleo.
Críticas no Congresso
Em vídeo publicado na rede social X, Bernie Sanders declarou que o ex-presidente “voltou a demonstrar desprezo pela Constituição e pelo Estado de Direito”. O parlamentar sustentou que o Poder Executivo não pode conduzir o país a uma guerra de forma unilateral e exigiu que o Congresso aprove, “o quanto antes”, uma resolução sobre poderes de guerra para barrar a ofensiva.
Sanders acrescentou que o ataque “não torna os Estados Unidos ou o mundo mais seguros” e comparou o episódio à lógica usada por Vladimir Putin para justificar a invasão da Ucrânia. Para o senador, a ação retoma a Doutrina Monroe e “remete a períodos sombrios de intervenção norte-americana na América Latina”.
Kamala Harris vê repetição de erros
Kamala Harris, também pelo X, afirmou que o cenário lembra “guerras por mudança de regime ou por petróleo” e criticou o fato de Trump “gastar bilhões, colocar tropas em risco e não apresentar plano de saída”. Segundo ela, não se trata de combate ao narcotráfico ou defesa da democracia, mas de “um desejo de parecer o homem mais forte da região”.
A ex-vice-presidente lembrou ainda que Trump concedeu perdão a um traficante condenado e “marginalizou a legítima oposição venezuelana”, o que, em sua visão, revela incoerência com o discurso oficial.
Detalhes da operação
Explosões foram registradas na capital Caracas durante a incursão, na qual Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram levados para Nova York por forças de elite norte-americanas. O episódio marca a primeira intervenção militar direta dos EUA em um país latino-americano desde 1989, quando o Panamá foi invadido e Manuel Noriega capturado sob acusação de narcotráfico.
Washington acusa Maduro de liderar o suposto cartel De Los Soles e chegou a oferecer recompensa de US$ 50 milhões por informações que resultassem em sua prisão. Especialistas, porém, contestam a existência do grupo criminoso. Conforme analistas consultados pela BBC, a ação pode ter motivação geopolítica para afastar Caracas de parceiros como China e Rússia, além de garantir influência sobre as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta.
Pressão por limites legais
Para Sanders, o episódio reforça a necessidade de atualizar a legislação que regula as atribuições de guerra do presidente dos EUA. Ele argumenta que sem um freio legislativo, “qualquer liderança poderá repetir o precedente” e intervir em outras nações buscando recursos naturais.
Harris concorda e lembra que “famílias americanas pagam o preço” quando conflitos se prolongam sem planejamento. Ambos defendem que o Congresso debata urgentemente a limitação dos poderes executivos, evitando que interesses econômicos determinem a política externa.
Os desdobramentos da operação seguem em análise, enquanto governos latino-americanos pedem moderação e respeito à soberania venezuelana. O Departamento de Estado dos EUA, até o momento, não apresentou cronograma de retirada das tropas.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
