Os EUA anunciaram tarifas de até 12,5% para dezenas de nações, mas pouparam produtos estratégicos do Brasil. Carne bovina, café e petróleo ficam fora da lista.
Na noite de terça-feira, 2 de junho de 2026, o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou um novo conjunto de tarifas que impactará 60 países parceiros comerciais. No entanto, uma extensa lista de produtos ficará isenta das tarifas, conforme publicado no Federal Register, o diário oficial do governo americano.
O documento, que possui 75 páginas, menciona que itens como carne bovina, aviões, suco de laranja, café, celulose, petróleo, terras raras e metais não serão afetados por tarifas que variam entre 10% e 12,5%, especialmente no caso do Brasil. Essa decisão foi motivada pela insatisfação em relação ao combate ao trabalho forçado.
A indústria têxtil, por sua vez, terá um mecanismo especial que permitirá a redução da tarifa sobre um volume específico de importação de vestuário destinado ao mercado americano.
O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou a proposta de novas tarifas em decorrência de uma investigação realizada sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa investigação concluiu que o Brasil e outras 59 economias falharam em implementar e fiscalizar a proibição de importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
O relatório aponta que o Brasil integra um grupo de 54 países que não adotaram medidas eficazes para barrar a entrada de bens relacionados à exploração laboral em seus territórios. O USTR afirmou que essa omissão é considerada “irrazoável e sobrecarrega ou restringe o comércio dos EUA”.
Como resposta, o governo americano sugeriu taxas adicionais de 12,5% sobre produtos provenientes de países que não possuem restrições adequadas contra o trabalho forçado. Para aqueles que já têm algum nível de restrição ou acordos de reciprocidade, a tarifa proposta será de 10%.
“A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica onde os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em um campo de jogo desigual”, afirmou o embaixador Jamieson Greer.
O relatório também destaca que a falta de fiscalização nas economias investigadas distorce as condições de mercado para empresas que não utilizam trabalho forçado, perpetuando essa prática em todo o mundo. Greer enfatizou a postura firme dos EUA: “Não toleraremos mais esta disparidade. Cada um de nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não encoraje e consolide perversamente o trabalho forçado em todo o mundo”.
O USTR abriu um período de consulta pública para as medidas propostas, permitindo que interessados enviem comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. Além disso, audiências públicas sobre as novas tarifas estão agendadas para o dia 7 de julho. Se confirmadas, as tarifas incidirão sobre todos os produtos das economias investigadas, exceto aqueles que constarão em uma lista específica a ser divulgada no registro oficial.
