Trump ameaça Irã e minimiza impacto da alta do petróleo em discurso televisionado na noite de 1º de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as Forças Armadas norte-americanas estão “desmantelando sistematicamente” a capacidade de defesa iraniana e prometeu intensificar os bombardeios nas próximas semanas.
Trump ameaça Irã e minimiza impacto da alta do petróleo
Durante a fala de aproximadamente 20 minutos, Trump exaltou supostas vitórias no campo de batalha, declarou que os “objetivos estratégicos centrais” do conflito, iniciado há 32 dias, estariam próximos de ser alcançados e advertiu que “levará o Irã de volta à idade da pedra” se não houver acordo.
Segundo o presidente, a continuidade da ofensiva se dará “com extrema força nas próximas duas a três semanas”, embora canais de negociação continuem abertos. Ele negou que a troca de regime seja meta oficial, mas alegou que a maioria dos líderes originais iranianos “já morreu”, abrindo espaço para um grupo “menos radical”.
Trump também revelou que usinas de geração de energia foram definidas como próximos alvos. O petróleo, destacou, não será atacado “para preservar qualquer chance de reconstrução” futura.
Sem apresentar provas, o presidente afirmou ter “destruído e esmagado” Marinha e Força Aérea iranianas. Indagado sobre o controle do Estreito de Ormuz — por onde transitam até 20% das exportações globais de petróleo —, limitou-se a dizer que os Estados Unidos quase não dependem da rota e que outros países deveriam assumir a responsabilidade pela segurança do canal.
“Derrotamos e praticamente dizimamos o Irã. As nações que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz precisam proteger essa passagem; nós ajudaremos, mas elas devem liderar”, declarou.
Nos EUA, a alta recente nos preços da gasolina foi minimizada pelo republicano, que atribuiu o encarecimento a “ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais”. Em sua avaliação, o aumento seria temporário. Segundo levantamento da agência Reuters, o barril tipo Brent acumula valorização superior a 15% desde o início do conflito.
Comparações históricas e silêncio sobre protestos
Para justificar a duração da guerra, Trump comparou os 32 dias de combate no Oriente Médio a conflitos como a Segunda Guerra Mundial e o Vietnã, classificando a atual operação como “investimento real no futuro dos seus filhos e netos”.
O pronunciamento não mencionou as centenas de manifestações registradas em grandes e pequenas cidades norte-americanas no fim de semana anterior, nas quais milhões de pessoas criticaram a ação militar e políticas migratórias do governo. Pesquisas recentes indicam que o presidente enfrenta aprovação em torno de um terço do eleitorado, seu pior índice desde o início do segundo mandato.
Apoio de aliados regionais
Trump agradeceu publicamente a Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, países que hospedam bases norte-americanas e têm sido alvo de retaliações iranianas. “Essas nações permanecem ao nosso lado na luta contra o terror e pela estabilidade regional”, disse.
Analistas destacam que a permanência do apoio depende da evolução dos preços do petróleo e da reação popular nos próprios países aliados, fatores que podem influenciar o ritmo e a intensidade da campanha militar.
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Crédito da imagem: Kevin Lamarque/Reuters
Fonte: Reuters
