Morte de Ali Khamenei leva Irã a criar conselho de governo interino
Morte de Ali Khamenei durante ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel motivou a criação de um conselho de governo provisório no Irã, anunciado na madrugada de 28 de março (horário de Brasília) pelos veículos estatais iranianos.
Morte de Ali Khamenei leva Irã a criar conselho de governo interino
Após 36 anos no topo da hierarquia política e religiosa do país, o aiatolá Ali Khamenei foi declarado morto em decorrência de um bombardeio que atingiu sua residência oficial, segundo o jornal estatal Teheran Times. A ação, atribuída à agressão estrangeira, também vitimou membros da família do líder, incluindo filha, genro, nora e neto.
Imediatamente, multidões saíram às ruas de várias cidades para protestar contra o ataque e lamentar o líder, fato registrado pelas transmissões de TV públicas. O governo decretou 40 dias de luto nacional, período tradicional de homenagem no país.
Composição do conselho provisório
Para garantir a continuidade administrativa, foi estabelecido um Conselho de Liderança interina, formado por:
- Masoud Pezeshkian – presidente da República;
- Gholam Hossein Mohseni Ejeie – chefe do Judiciário;
- Mohammad Bagher Ghalibaf – presidente do Parlamento;
- Aiatolá Alireza Arafi – representante do Conselho dos Guardiões.
Arafi, integrante do alto clero, não assume o posto de líder supremo. A Constituição iraniana determina que a Assembleia dos Especialistas, composta por 86 religiosos eleitos, eleja o sucessor definitivo. Até essa escolha, o conselho detém todas as prerrogativas de Khamenei.
Reação militar e política
Em comunicado publicado pela agência Isna News, o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas prometeu represálias contra Washington e Tel Aviv. “Faremos com que os inimigos desta nação se arrependam”, diz a nota.
A ofensiva também resultou na morte de outras autoridades, como o secretário do Conselho de Defesa, contra-almirante Ali Shamkhani, e o comandante do Corpo da Guarda Revolucionária, major-general Mohammad Pakpour. Analistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que o vácuo de poder poderá aumentar a tensão regional.
Próximos passos da sucessão
Tradicionalmente, a Assembleia dos Especialistas leva semanas para deliberar. O órgão pode confirmar um dos grandes aiatolás ou optar por uma liderança colegiada até nova votação. Desde a Revolução de 1979, apenas dois clérigos ocuparam o cargo supremo: Ruhollah Khomeini e Ali Khamenei.
Enquanto isso, o presidente Pezeshkian mantém agendas internas e externas, tentando preservar a estabilidade econômica. O Parlamento, por sua vez, discute medidas emergenciais de segurança e a eventual ampliação das competências do conselho provisório.
Em meio ao luto e à incerteza, a população acompanha atentamente cada passo do processo sucessório, que poderá redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio.
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Crédito da imagem: REUTERS/Mohammed Aty
Fonte: Agência Brasil
