Cerca de 450 incorporadoras já atuam no setor, que está crescendo em ritmo de três dígitos. O tema será destaque no CIMI360, no Rio; investidores poderão adquirir frações de imóveis pelo celular.
A tokenização imobiliária no Brasil já não é mais uma promessa distante. Com um total de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) mobilizado, o país se posiciona como um dos mercados mais relevantes do setor, contando com a participação de cerca de 450 incorporadoras. O crescimento do segmento, que se destaca por apresentar aumentos de três dígitos, será um dos temas centrais do CIMI360, o maior evento do mercado imobiliário da América Latina, programado para ocorrer em agosto, no Rio de Janeiro.
A proposta de comprar uma fração de um imóvel pelo celular, sem a necessidade de passar por cartório, e com investimentos a partir de poucas centenas de reais, vem se consolidando no Brasil. Mas o que é exatamente um token imobiliário? Trata-se da versão digital de um direito sobre um imóvel, registrada em blockchain. Esses tokens são classificados como security tokens, semelhantes a ações ou cotas de fundo, mas representam bens físicos existentes.
Para transformar um imóvel em token, é necessário que ele passe por uma avaliação de mercado e uma estruturação jurídica que permita a divisão em cotas. Isso é geralmente feito por meio de uma empresa específica que detém a posse do bem, enquanto os tokens representam as participações. Contratos inteligentes definem as regras da operação, incluindo a quantidade total de tokens emitidos e os direitos de cada detentor.
Recentemente, um levantamento da Associação Brasileira das Empresas Tokenizadoras (ABToken) revelou que o modelo de tokenização imobiliária já movimentou cerca de R$ 20 bilhões em VGV no Brasil. O relatório “Panorama Estratégico e Regulatório da Tokenização Imobiliária” detalha a expansão do setor, destacando que foram emitidos R$ 1,3 bilhão em ofertas tokenizadas formalmente regulamentadas em 2024 e que o volume de ativos do mundo real superou R$ 1,5 bilhão apenas em janeiro de 2026, com um crescimento de mais de 1.100% em um ano.
Além disso, cerca de 30 mil carteiras digitais foram abertas no país, das quais 9 mil já foram reportadas à Receita Federal. Contudo, o estoque de imóveis tokenizados ainda é modesto, variando entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, evidenciando desafios de liquidez no mercado.
No cenário global, o Brasil é visto como um protagonista, com a ABToken destacando o país como referência em inovação regulatória. Apesar de enfrentar uma regulação fragmentada, o mercado brasileiro se destaca em comparação a mercados europeus que operam sob regulamentações mais rígidas.
Com a aproximação do CIMI360, especialistas se reunirão no Fórum Internacional de Tokenização Imobiliária (FITI) para discutir questões de liquidez e regulação, nos dias 27 e 28 de agosto, no Rio de Janeiro. A projeção para o segmento de tokenização no Brasil é de que alcance R$ 320 bilhões até 2030, dentro de um mercado global que pode atingir US$ 4 trilhões no mesmo período.
