Contratos mostram que a mansão de 2 mil m² no Lago Sul foi assinada em nome do dentista Rafael Nicolau Arbex. Contrato tem cláusula rígida de confidencialidade. Negociações iniciais: Roberta Luchsinger. Registro: 2024.
Informações divulgadas nesta sexta-feira (21) apontaram que o contrato de locação de uma mansão de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, foi assinado em nome de um terceiro e protegido por cláusula de confidencialidade rigorosa. O signatário identificado foi o dentista Rafael Nicolau Arbex.
O imóvel tem mais de 2 mil metros quadrados e fica em condomínio fechado. As tratativas iniciais para o aluguel teriam sido conduzidas pela lobista Roberta Luchsinger, mas, no momento da oficialização do negócio em 2024, a imobiliária declarou que o locatário registrado foi Rafael Arbex. Depois dessa primeira intermediação, as renovações e os contatos teriam passado a ser feitos diretamente com o proprietário.
O aluguel mensal do imóvel seria de R$ 28 mil. O dono do imóvel se recusou a comentar o assunto, amparando-se no acordo de sigilo firmado com os inquilinos. Informações indicaram ainda que Arbex, que é sócio de duas empresas, não foi localizado nos contatos registrados em bases públicas.
Arbex já havia aparecido no noticiário relacionado ao caso do sítio de Atibaia: ele atuou como testemunha de defesa de Fernando Bittar durante investigações da Operação Lava-Jato. Em depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, em 2018, o dentista afirmou que morava gratuitamente no sítio a convite de Bittar e negou que a família do presidente frequentasse a propriedade — decisão que chegou a gerar uma condenação, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2021.
O uso da mansão tem recebido atenção: relatos de ex-funcionários da lobista informaram que o local não servia como moradia fixa, mas como base para reuniões discretas. Uma das trabalhadoras indicou que Lulinha, filho do presidente, e a lobista iam ao local cerca de duas vezes por mês e que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, teria participado de um desses encontros.
Também foi citado um relacionamento financeiro entre a lobista e Marcola, com pagamentos no total de R$ 249 mil para despesas do ex-assessor, entre elas joias no valor de R$ 9 mil. A defesa de Marcola informou que o montante já foi devolvido à lobista.
A defesa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, negou qualquer irregularidade relativa ao uso da mansão e afirmou que ele jamais morou no imóvel do Lago Sul, além de rechaçar a participação dele em reuniões com empresários intermediadas pela lobista. A defesa de Roberta Luchsinger não retornou os contatos até o fechamento da matéria.
