Terras raras do Brasil são chave para América do Sul, diz Lula foi a mensagem central do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento realizado em 19 de março de 2026, em São Bernardo do Campo (SP). Ao comentar o interesse estrangeiro nesses minerais estratégicos, o chefe do Executivo defendeu que a exploração dos recursos permaneça sob controle regional para impulsionar a soberania latino-americana.
Terras raras do Brasil são chave para América do Sul, diz Lula
Lula sustentou que terras raras e outros minerais críticos presentes no subsolo brasileiro representam “a forma de recuperarmos a cidadania da América do Sul”. O presidente afirmou que potências externas, citando nominalmente o ex-mandatário norte-americano Donald Trump, demonstram interesse em repetir práticas coloniais que extraem riqueza e deixam apenas os impactos ambientais nas nações produtoras.
“Eles querem fazer conosco o que os espanhóis fizeram com o ouro: levar tudo e deixar os buracos”, declarou. Segundo Lula, a solução para os desafios econômicos e sociais da região deve vir “exclusivamente de nosso próprio território”, sem depender de intervenções de outros países.
Os 17 elementos que compõem o grupo das terras raras são vitais para a fabricação de ímãs permanentes, turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que o Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses insumos, atrás apenas de nações como China e Vietnã.
Resposta a Trump e defesa da integração regional
Dirigindo-se a líderes que enxergam nos Estados Unidos um possível solucionador de crises sul-americanas, Lula lembrou que cinco séculos de presença europeia e décadas de influência norte-americana não resolveram as desigualdades locais. “Nem espanhóis, nem ingleses, nem americanos resolveram nossos problemas”, reforçou, acrescentando que apenas a integração dos países vizinhos pode garantir desenvolvimento sustentável.
No mesmo evento, o presidente participou da cerimônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa (in memoriam) ao ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica, promovida pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Lula classificou Mujica como “irmão” e “ser humano muito especial”, citando a importância do colega na defesa da democracia, da ética e da integração regional.
Homenagem a Pepe Mujica reforça mensagem de solidariedade
A solenidade contou com a presença de Lucía Topolansky, viúva de Mujica e ex-vice-presidente do Uruguai, que doou à universidade um exemplar do livro “Semillas al Viento”. O reitor Dácio Roberto Matheus destacou que a trajetória de Mujica deve inspirar a juventude a construir “um país mais justo, soberano e menos desigual”.
A UFABC havia aprovado a concessão da honraria em junho de 2024, reconhecendo a contribuição de Mujica para a democracia, a educação e a integração sul-americana. O ex-presidente uruguaio morreu em 13 de maio de 2025, aos 89 anos, em Montevidéu.
Soberania mineral e futuro energético
Especialistas avaliam que o domínio da cadeia produtiva de terras raras pode reduzir a dependência da América do Sul de fornecedores asiáticos e abrir caminho para a industrialização de tecnologias limpas. A posição do governo brasileiro sinaliza possível revisão de políticas de mineração, focando em agregação de valor e respeito socioambiental nas regiões produtoras.
Em suma, Lula reforçou que a exploração dos minerais críticos deve ser alicerce de um projeto de desenvolvimento regional autônomo, capaz de elevar o padrão de vida dos latino-americanos e proteger a integridade territorial. Para acompanhar outras análises sobre soberania e integração, visite nossa editoria de Política e continue informado.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
