Super Bowl: Bad Bunny lidera show pró-imigrantes e irrita Trump transformou a final do futebol americano, realizada em Santa Clara em 8 de fevereiro, numa celebração multicultural que ressaltou o orgulho latino e respondeu de forma indireta às políticas anti-imigração dos Estados Unidos.
Evento esportivo ganha tom político já na abertura
A atmosfera crítica começou antes mesmo do apito inicial. A banda Green Day subiu ao palco e incluiu no repertório o hino punk “American Idiot”, conhecido por suas referências contrárias ao então presidente Donald Trump. Sem mencionar nomes, o vocalista Billie Joe Armstrong conduziu o público a um coro que soou como recado direto à Casa Branca.
Bad Bunny comanda intervalo mais latino da história
No intervalo, Bad Bunny fez um espetáculo de 13 minutos, todo em espanhol, valorizando símbolos da América Latina. O cenário remetia a plantações de cana, cultura típica de Porto Rico, enquanto dançarinos empunhavam bandeiras de cada país do continente. Ao lado de Lady Gaga, que adaptou “Die With a Smile” ao ritmo caribenho, e de Ricky Martin, o porto-riquenho destacou a contribuição dos imigrantes à sociedade norte-americana.
A apresentação encerrou-se quando o artista ergueu uma bola de futebol americano com a inscrição “Juntos somos a América”, listou nações do Chile ao Canadá e concluiu: “Continuamos aqui”. O gesto foi interpretado como defesa da permanência e da visibilidade dos migrantes.
Trump reage com críticas no Truth Social
Minutos após o show, Donald Trump publicou na plataforma Truth Social que o espetáculo foi “uma afronta à grandeza da América”. O mandatário alegou que “ninguém entende uma palavra” e classificou as coreografias como “nojentas”. A postagem rapidamente viralizou e dividiu opiniões.
Segundo apuração do The New York Times, assessores presidenciais já vinham tentando barrar a escolha de Bad Bunny desde o anúncio feito meses antes pela NFL, mas a liga manteve a escalação para reforçar a diversidade de seu público.
Mensagem ressoa entre torcedores e artistas
Torcedores presentes no Levi’s Stadium relataram que a apresentação “deu voz” a comunidades frequentemente invisibilizadas. Organizações pró-imigrantes elogiaram o espetáculo nas redes sociais por “transformar o maior palco do esporte em tribuna de inclusão”. Críticos, porém, argumentam que posicionamentos políticos podem afastar parte da audiência tradicional do Super Bowl.
Mesmo com o debate, a partida entre Seattle Seahawks e New England Patriots seguiu equilibrada e foi decidida apenas nos minutos finais, tornando-se coadjuvante diante do peso simbólico do show do intervalo.
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Crédito da imagem: Carlos Barria
Fonte: Carlos Barria
