O Superior Tribunal Militar (STM) deve analisar, após as eleições de outubro, os processos relacionados à perda de posto e patente de militares condenados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os fatores processuais e o calendário eleitoral devem adiar o início dos julgamentos, que são considerados um dos próximos desdobramentos das condenações aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou que, se for eleito, planeja conceder anistia ao pai e a outros presos relacionados aos eventos de 8 de janeiro.
Integrantes da Corte acreditam que o clima eleitoral pode influenciar as discussões, preferindo que os casos sejam analisados em um ambiente político mais estável. Há a expectativa de que o resultado das eleições possa impactar o contexto jurídico desses processos.
Um dos fatores considerados é a possibilidade de uma eventual anistia para os condenados. O pré-candidato Flávio Bolsonaro já declarou publicamente sua intenção de conceder anistia a seu pai, que é um dos militares envolvidos no processo no STM.
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A cautela em relação ao calendário político também é um aspecto importante a ser observado. O Judiciário entrou em recesso nesta semana e os prazos processuais estarão suspensos até o início de agosto, quando as atividades dos tribunais serão retomadas.
Outro ponto relevante é a recente mudança aprovada pelo STM para regulamentar esse tipo de julgamento. Em junho, a Corte estabeleceu um novo rito para os processos de perda de posto e patente, permitindo que as partes apresentem novos elementos durante a tramitação.
Segundo as novas regras, as defesas podem solicitar o compartilhamento de documentos produzidos no STF e apresentar declarações escritas de testemunhas que comprovem a reputação e a conduta dos militares, mesmo que não estejam diretamente relacionadas aos fatos que levaram às condenações criminais.
A forma como os processos são tramitados pelo STM também influencia o ritmo das análises. Cada procedimento possui um relator específico e avança individualmente, sem julgamentos conjuntos, o que permite que os casos avancem em velocidades diferentes.
No caso de Bolsonaro, sua defesa já apresentou manifestações ao tribunal. A próxima fase envolve a elaboração do voto pelo ministro relator, seguido do envio dos autos ao revisor. Somente após essa etapa o processo poderá ser liberado para julgamento, sendo que a definição da data de inclusão na pauta caberá à presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha.
Importante destacar que o julgamento conduzido pelo STM não reabre a discussão sobre a condenação imposta pelo Supremo. A Corte Militar limita-se a verificar se as condutas atribuídas aos condenados estão ou não em conformidade com os requisitos morais exigidos para a manutenção do posto e da patente militar.
Além de Bolsonaro, outros militares, como o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e os generais Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Walter Braga Netto, também respondem a processos semelhantes. Por outro lado, o tenente-coronel Mauro Cid não será submetido ao procedimento devido à sua condenação a dois anos de prisão, resultante de um acordo de colaboração premiada.

