STF julga mandantes de Marielle Franco e Anderson Gomes na última terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal abriu o julgamento que pode condenar ou absolver cinco acusados de orquestrar o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro e do motorista, crime ocorrido em 2018.
Réus e suspeitas
Sentam-se no banco dos réus o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-PM Robson Calixto, então assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente.
Segundo a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos, os irmãos Brazão e Barbosa teriam mandado executar a vereadora. O major Ronald teria monitorado a rotina de Marielle, enquanto Calixto é apontado como quem entregou a arma usada no crime. A Polícia Federal sustenta que o motivo foi o posicionamento político de Marielle contra interesses fundiários ligados ao grupo.
Rito do julgamento
A sessão foi aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, às 9h30. Em seguida, o relator Alexandre de Moraes apresentou relatório com o histórico do processo. Depois, a Procuradoria-Geral da República fez a acusação, seguida pelas sustentações orais das defesas, cada uma com até uma hora para argumentar.
Com a ida do ministro Luiz Fux para a Segunda Turma, o colegiado conta com quatro votantes: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O quórum reduzido mantém validade plena do veredito.
Família acompanha de perto
Nos assentos reservados ao público estavam a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã da vereadora, e Agatha Reis, viúva do motorista Anderson Gomes, além de outros familiares.
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, acompanham o caso desde 2018 e voltaram a cobrar celeridade e transparência.
Próximas etapas
Estão marcadas mais duas sessões: uma ainda na mesma tarde de 24 de fevereiro e outra na manhã seguinte, 25 de fevereiro, caso não haja tempo para a conclusão dos votos. Se houver empate, o regimento prevê adiamento até que o colegiado volte a ter cinco ministros.
Uma eventual condenação poderá levar os réus a júri popular ou à imposição imediata de penas, dependendo da tipificação fixada pelos ministros. Em caso de absolvição, são possíveis recursos da PGR.
O desfecho do processo é aguardado como passo decisivo para esclarecer o crime que chocou o país e reforçar o combate às milícias no Rio de Janeiro.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
