A Revolução Islâmica de 1979 no Irã uniu forças opostas e culminou na imposição da lei islâmica. O que começou como luta por mudança tornou-se um regime que restringiu liberdades fundamentais.
A preservação da liberdade e da soberania das democracias ocidentais exige coragem para encarar a realidade, sem as distorções de uma visão complacente com regimes teocráticos. Um exemplo marcante é o da jovem muçulmana Shirin Ebadi, que teve um papel ativo na Revolução Islâmica de 1979 no Irã. Naquele momento, diferentes grupos, incluindo religiosos, comunistas e feministas, uniram-se em torno de um ideal que acabou por resultar em profundas mudanças sociais.
Após a revolução, o xá Reza Pahlavi foi exilado e o aiatolá Khomeini tomou o poder, instaurando a Sharia como base do novo regime. Um mês depois, Shirin Ebadi, que era juíza, perdeu seu cargo devido ao fato de ser mulher, e foi obrigada a usar o véu, que antes simbolizava liberdade, mas que se transformou em símbolo de submissão feminina.
Os aspectos mais graves da Sharia frequentemente permanecem desconhecidos pelo público em geral, enquanto temores relacionados à política de direitos humanos são silenciados sob a máscara do politicamente correto. Certa manhã, Ebadi se deparou com leis que estabeleciam desigualdade de direitos entre homens e mulheres, o que a levou a registrar um pacto pós-nupcial com seu marido, buscando garantir igualdade entre eles. Em sua luta contra o regime teocrático, Ebadi se tornou uma voz respeitada, sendo laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2003.
Em 2011, durante uma palestra na seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Ebadi alertou sobre as graves violações de direitos humanos no Irã. Ela denunciou práticas como a execução de mulheres acusadas de adultério, que são enterradas vivas ou apedrejadas até a morte. Além disso, no Irã, uma mulher herda metade do que um homem herda, e o testemunho de uma mulher vale a metade do de um homem. A repressão é intensa, com prisioneiros políticos sendo torturados e executados diariamente.
Em relação à liberdade de expressão, países islâmicos apresentam altos níveis de cerceamento social e governamental. Segundo um relatório do Pew Research Center, 15 países muçulmanos impõem severas restrições à liberdade religiosa. A Sharia, nesse contexto, se torna um elemento central na intolerância, refletindo a fusão entre a religião e o Estado.
O conceito de Sharia, que significa “caminho para as águas” na cultura árabe pré-islâmica, ganhou um novo significado a partir do século 7, abrangendo uma vasta legislação baseada no Corão e nos ensinamentos do profeta Maomé. A partir desse momento, a vontade de Alá foi politizada, tornando-se uma ideologia dominante.
De acordo com a erudita egípcia Bat Ye’or, a jihad contribuiu para a expansão geopolítica da religião, resultando na discriminação de não muçulmanos, que são considerados cidadãos de segunda ou terceira classe em países de maioria muçulmana. A Sharia permite punições severas para os chamados infiéis, que podem sofrer desde chibatadas até pena de morte. Em alguns países africanos, como a Nigéria, a aplicação da Sharia resulta em chacinas em nome da lei.
Além disso, as fatwas, que são decretos religiosos, são utilizadas como ferramentas de controle social e opressão. A presença de tribunais de Sharia em países ocidentais levanta questões sobre a compatibilidade entre esses sistemas e as democracias liberais. É fundamental que a sociedade mantenha um olhar atento sobre as implicações da Sharia e os desafios à liberdade e à soberania das democracias ocidentais.
