A Polícia Federal (PF) investiga o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, por suspeitas de envolvimento em um esquema de desvio de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a PF, a investigação revelou a existência de uma estrutura de lavagem de dinheiro que inclui empresas, postos de combustíveis, imóveis, fazendas e até aeronaves.
Na terça-feira, 4 de agosto, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de familiares e supostos sócios do parlamentar, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A apuração contou com dados extraídos do celular do senador, que foram confrontados com informações da Operação Sem Desconto.
A representação da PF menciona o advogado Willer Tomaz como coordenador do núcleo central do esquema. A polícia aponta que ele teria fornecido suporte financeiro, patrimonial e logístico para ocultar a origem e o destino dos recursos envolvidos.
A investigação também está analisando o patrimônio de Weverton Rocha. Foram identificadas movimentações financeiras suspeitas, como compras de bens em nome de terceiros e investimentos em veículos e empresas de radiodifusão. Além disso, foram mapeados contratos de empréstimo e contas de familiares, que estão sendo investigadas para identificar o fluxo de recursos.
Entre os bens sob investigação está uma mansão no Lago Sul, em Brasília. A PF indicou que o senador negociou o imóvel, mas uma empresa vinculada a Willer Tomaz formalizou a compra por R$ 6 milhões. As autoridades suspeitam que essa aquisição possa ter beneficiado o senador de alguma forma.
A corporação também investiga a movimentação financeira de postos de combustíveis administrados por um familiar de Rocha. De acordo com as apurações, esses estabelecimentos transferiram recursos para a compra de fazendas e máquinas agrícolas, mesmo enfrentando dificuldades financeiras. A PF mencionou empréstimos contratados após a entrada de valores considerados suspeitos.
A investigação ainda revelou uma rota aérea entre Brasília e o Maranhão, utilizada para o transporte de dinheiro em espécie, que ultrapassaria R$ 1 milhão por voo. Os documentos judiciais mencionam planilhas com entregas de até R$ 1,5 milhão e a apreensão de R$ 1 milhão com um suspeito próximo a um ex-assessor do senador.
Além disso, a PF apura a movimentação de empresas de comunicação ligadas à família de Rocha, que também estariam envolvidas no esquema. Uma funcionária identificada como “Financeiro WT” teria sido responsável por administrar pagamentos e entregas de dinheiro em espécie entre o senador e Willer Tomaz.
Weverton Rocha negou qualquer irregularidade e atribuiu a investigação a interesses políticos. O senador afirmou que os bens da família têm origem lícita e expressou confiança na Justiça. Por sua vez, Willer Tomaz declarou que não é investigado na Operação Sem Desconto e que o empréstimo de uma aeronave ao senador foi feito por motivos pessoais, além de ressaltar que sua imobiliária atua de forma regular.
