A partir deste ano, Salvador se tornará, simbolicamente, a capital do Brasil no dia 2 de julho, quando a Bahia celebra a consolidação da Independência do país. Essa decisão foi oficializada em lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de julho de 2026.
A medida não altera o funcionamento dos órgãos federais em Brasília, mas restringe-se a atos oficiais e protocolares relacionados à celebração da data. O Poder Executivo será responsável pela organização da programação, logística e segurança dos eventos, em parceria com os demais poderes e autoridades estaduais e municipais.
A lei busca reconhecer a importância histórica do 2 de julho, considerado por muitos historiadores como o marco da consolidação da Independência do Brasil. Embora a Independência tenha sido proclamada por Dom Pedro em 7 de setembro de 1822, as tropas portuguesas permaneceram em várias regiões, especialmente na Bahia, onde resistiram à separação do Brasil de Portugal. As batalhas se estenderam por meses, envolvendo tanto militares quanto a população local, principalmente no Recôncavo Baiano.
Foi somente em 2 de julho de 1823, com a retirada definitiva das tropas portuguesas de Salvador, que o processo de independência foi efetivamente consolidado. Desde então, essa data é comemorada anualmente na Bahia com desfiles cívicos, cortejos e manifestações populares.
No ano anterior, o presidente Lula havia encaminhado ao Congresso Nacional um projeto para instituir o 2 de Julho como o Dia Nacional da Consolidação da Independência do Brasil, defendendo maior reconhecimento ao papel da Bahia nesse processo histórico.
A transferência simbólica da sede do governo federal para outra cidade não é uma novidade. Em 1993, Salvador já havia recebido simbolicamente o governo durante a 3ª Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. Mais recentemente, em 2025, uma lei transferiu temporariamente a sede do governo para Belém, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
A proposta que deu origem à nova lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, com o intuito de reforçar o reconhecimento histórico do papel da Bahia na consolidação da soberania nacional e valorizar as celebrações do 2 de Julho.
