Prestação de contas no DivulgaCand aponta arrecadação de R$ 4,58 milhões, com R$ 3,6 milhões repassados pelo Novo — que usou recursos públicos pela 1ª vez em eleição geral. Dados parciais mostram que parte da verba não foi aplicada.
O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) gastou R$ 2,98 milhões na campanha ao Senado antes de anunciar sua desistência da disputa nesta sexta-feira (28). Os números constam na prestação de contas parcial disponível no DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral.
De acordo com os dados, Salles arrecadou R$ 4,58 milhões para a campanha ao Senado. Deste total, R$ 3,6 milhões foram repassados pelo partido, em uma eleição na qual o Novo, pela primeira vez em eleição geral, utilizou recursos públicos. Pelos dados parciais, o candidato não aplicou toda a verba arrecadada.
“Os valores que aparecem no DivulgaCand são referentes à prestação de contas parcial. A prestação de contas final só é concluída no dia 3 de novembro. É possível que ele tenha realizado outros gastos e que eles ainda não tenham sido registrados no portal.”
Essa avaliação foi feita por Ísis Sangy, advogada especialista em Direito Eleitoral, sobre a possibilidade de atualização dos números registrados até o fechamento das contas finais.
O anúncio da retirada da candidatura do ex-ministro do Meio Ambiente foi feito pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante um café com jornalistas na manhã desta sexta-feira. No encontro também estiveram candidatos ao Senado apoiados por Tarcísio, incluindo nomes do PP e do PL.
Sobre o destino dos recursos não utilizados, o advogado Arthur Rollo destacou regras de prestação e devolução:
“Aquilo que ele arrecadou e gastou é legítimo, porque ele era candidato. Pode ser alvo de questionamento, mas não há precedente que determine a devolução do dinheiro em caso de desistência. O que sobrou, porém, terá de ser devolvido: os recursos privados vão para o partido, enquanto o saldo da verba pública do Fundo Eleitoral deve ser devolvido ao Tesouro Nacional”
Segundo a prestação de contas parcial, Salles foi o segundo candidato que mais recebeu verba do Diretório Nacional do Novo, atrás apenas do presidenciável da legenda, Romeu Zema.
Principais gastos da campanha
- R$ 893,94 mil — serviços gráficos para produção de adesivos e santinhos
- R$ 669,49 mil — impulsionamento de conteúdo na internet
- R$ 250 mil — contratação de escritório de advocacia
A desistência de Salles ocorre em um momento em que o deputado aparecia atrás nas pesquisas e enfrentava pressão pelo chamado voto útil em favor de outro candidato apoiado pelo grupo político do governador. Em pesquisa divulgada na semana passada, Salles tinha 4% das intenções de voto, ficando atrás de outros concorrentes na disputa pelo Senado.
Ao longo da campanha, o ex-ministro fez ataques direcionados a um rival do PL, chegando a afirmar que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo “não representa a direita”, que faz parte do Centrão e é uma “marionete” do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
