Instituto Millenium, com dados da Receita Federal, aponta que o total registrado em 2026 já passou o acumulado de 2025. A formalização encerra a condição de residente no Brasil para fins tributários.
O Brasil registrou 46,5 mil formalizações de saída fiscal até agosto de 2026, número que superou as 31,7 mil contabilizadas durante todo o ano de 2025. Os dados foram divulgados pelo Instituto Millenium com base em informações da Receita Federal.
A saída fiscal formaliza perante a Receita a mudança de residência para o exterior e encerra a condição de residente no Brasil para fins tributários. Em anos recentes, o movimento vinha variando: foram registradas 25,7 mil formalizações em 2021, 22 mil em 2022, 26,3 mil em 2023 e 26,4 mil em 2024. Em cinco anos, portanto, o volume cresceu cerca de 80%.
Estados Unidos, Portugal e Canadá aparecem entre os principais destinos citados nas estatísticas. Para o Instituto Millenium, fatores como perda do poder de compra, impostos elevados e a busca por melhores condições para trabalhar e investir ajudaram a explicar o aumento nas formalizações.
“O Brasil precisa voltar a ser um país em que pessoas talentosas e capital vejam vantagem em ficar”
O movimento também envolveu empresas brasileiras em busca de oportunidades no exterior. Dados citados mostraram que mais de 200 companhias brasileiras operavam no Paraguai em 2025, ante pouco mais de 40 em 2015, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria.
Uma das empresas que ampliou operações anunciou a construção de uma fábrica em Ciudad del Este, com investimento estimado em R$ 30 milhões. A companhia informou que a expansão busca “melhorar as margens e gerar novas oportunidades”.
“melhorar as margens e gerar novas oportunidades”
No Paraguai, empresas exportadoras enquadradas no Regime de Maquila chegam a pagar imposto único de 1% sobre o valor da nota fiscal, vantagem citada como um dos atrativos para transferir parte da operação para aquele país.
A Receita Federal comentou que o aumento nas formalizações incluiu regularizações e que “o aumento observado de regularização de saída definitivas não significa que esses contribuintes saíram do país nesses anos”. O órgão afirmou ainda que mudanças na tributação e programas de regularização de patrimônio no exterior também influenciaram o movimento.
“o aumento observado de regularização de saída definitivas não significa que esses contribuintes saíram do país nesses anos”
Entre as alterações citadas pela Receita está a chamada Lei das Offshores, que passou a tributar em 15% rendimentos de aplicações financeiras no exterior, além de medidas que facilitaram a regularização de bens e direitos fora do país. Segundo o órgão, essas medidas incentivaram brasileiros que já residiam no exterior a formalizar a saída fiscal.
Quem deixa o país definitivamente deve comunicar a saída à Receita para informar a mudança de residência fiscal. No ano seguinte, a pessoa precisa apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, procedimento obrigatório para regularizar a situação perante o Fisco brasileiro e o país de destino.
