Em evento pelos 30 anos do MTST, Lula criticou pedidos do mercado por ajustes fiscais e atacou a Faria Lima. Ele afirmou que quem determina a taxa de juros não conhece a realidade da população de baixa renda.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a cobrança do mercado financeiro por ajustes fiscais e questionou a definição da taxa de juros durante evento em celebração aos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), realizado no dia 8 de agosto em Taboão da Serra, São Paulo.
Em seu discurso, Lula fez um ataque à Faria Lima, um símbolo do centro financeiro paulista, ao afirmar que muitos integrantes do mercado e responsáveis pela política de juros não compreendem a realidade da população de baixa renda. Ele questionou:
“Acha que alguém que decide a taxa de juros sabe como é que vive o povo?”
O presidente continuou sua crítica, afirmando que a cobrança por ajustes fiscais, frequentemente feita por aqueles que atuam na Faria Lima, é desconectada das necessidades da população.
“Acha que quando a Faria Lima fica cobrando ajuste fiscal, déficit não sei das quantas, ele sabe o que é isso?”
De acordo com Lula, esses indivíduos não têm noção do que significa viver na pobreza, ressaltando que para seu governo, o pobre é muito mais do que um número.
“Para nós, o pobre é uma mulher, um homem, não é um número, e é deles que temos que cuidar.”
Além das críticas ao mercado financeiro, o presidente também abordou as dificuldades enfrentadas para implementar programas de financiamento. Ele mencionou um plano de R$ 30 bilhões destinado à reforma de moradias e destacou que a burocracia relacionada à documentação dos imóveis tem dificultado o acesso a esses recursos.
“Esse plano está com dificuldade de rodar, porque tem muitos problemas para o cara pegar o dinheiro emprestado, tem muita exigência.”
Lula ainda informou que o governo disponibilizou recursos para financiar motos e bicicletas para entregadores, além de carros para motoristas de aplicativo e taxistas, visando apoiar esses trabalhadores.
No evento, o presidente esteve acompanhado do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e da primeira-dama Janja Lula da Silva. Outras figuras políticas, como Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e as candidatas ao Senado, Marina Silva e Simone Tebet, também marcaram presença, embora não tenham se manifestado no palco devido às restrições da legislação eleitoral.

