Reservas de petróleo: AIE libera 400 milhões de barris durante conflito no Irã. A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação inédita de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência, numa ação coordenada por 32 países para atenuar a escalada dos combustíveis provocada pela guerra no Irã.
Reservas de petróleo: AIE libera 400 milhões de barris durante conflito no Irã
De acordo com o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, a medida tem o objetivo de “compensar a perda de oferta decorrente do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz”. O volume divulgado é o maior já liberado pela agência, que reúne nações da Europa, das Américas e da Ásia-Pacífico.
Mesmo com o anúncio, a cotação do Brent manteve forte valorização, registrando alta de 4% em 11 de março e permanecendo cerca de 30% acima do nível anterior ao conflito. O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passam aproximadamente 20 milhões de barris diários — cerca de um quarto do comércio mundial de hidrocarbonetos — continua pressionando os preços.
Especialistas avaliam que o efeito da decisão será pontual. A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Ticiana Álvares, alerta que, se as tensões se prolongarem, “os impactos sobre o mercado de petróleo e gás tendem a se aprofundar, resultando em cenário mais complexo no longo prazo”.
O estoque liberado corresponde a um terço dos 1,2 bilhão de barris detidos pelos membros da AIE e seria suficiente para suprir cerca de 20 dias do fluxo normalmente cruzado pelo Estreito. Não há, porém, cronograma único para a liberação; cada país poderá disponibilizar seus volumes “num prazo adequado às circunstâncias nacionais”, informou a entidade.
Gás natural e disputa global por energia
Além do petróleo, o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) entrou no radar da Agência Internacional de Energia. A suspensão de embarques do Catar e dos Emirados Árabes Unidos reduziu em aproximadamente 20% a oferta global de energia. Países de alta renda na Ásia agora competem diretamente com a Europa por cargas alternativas, afirmou Birol.
Reação política: G7 debate crise energética
Diante da volatilidade, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou reunião de emergência do G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França — para discutir possíveis respostas coordenadas. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina avançou 60 centavos de dólar por galão, atingindo US$ 3,50, maior valor desde maio de 2024, segundo a Reuters.
No front militar, a Guarda Revolucionária Islâmica voltou a ameaçar navios que cruzarem o Estreito de Ormuz em benefício de Washington, Tel Aviv ou aliados. Autoridades iranianas afirmam ter atingido duas embarcações, uma de propriedade israelense e outra de bandeira liberiana, que teriam tentado atravessar a passagem estratégica sem autorização.
Com o cenário ainda incerto, analistas defendem combinações de políticas de curto e médio prazo, que incluem racionamento voluntário, estímulo a fontes alternativas e reforço dos estoques estratégicos para amortecer choques futuros.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
