Repatriar fósseis brasileiros é a meta de uma força-tarefa que reúne governo federal, Ministério Público e instituições científicas na tentativa de trazer de volta exemplares de dinossauros e outras peças naturais e culturais hoje espalhadas por 14 países.
Negociações avançam com Estados Unidos e Europa
Dados do Ministério das Relações Exteriores (MRE) indicam pelo menos 20 tratativas de devolução em andamento. Os Estados Unidos concentram oito pedidos, seguidos da Alemanha, com quatro. Reino Unido, Itália, França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai e Japão registram uma solicitação cada. As demandas encaminhadas à Espanha e à Coreia do Sul foram recusadas.
Exemplares icônicos já têm data para voltar
Um acordo firmado recentemente com a Alemanha prevê o retorno do Irritator challengeri, dinossauro espinossaurídeo que viveu há 116 milhões de anos no sertão do Araripe, no Ceará. O fóssil foi retirado ilegalmente do país e permaneceu no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart desde 1991.
Em fevereiro de 2024, 45 fósseis da Bacia do Araripe que estavam na Suíça também voltaram ao Brasil. No mesmo ano, o histórico manto Tupinambá do século 17, mantido na Dinamarca, foi devidamente repatriado.
Colonialismo científico prejudica pesquisa nacional
Especialistas classificam a retirada irregular de patrimônio como “colonialismo científico”. Levantamento publicado na revista Palaeontologia Electronica aponta que 490 fósseis de macroinvertebrados deixaram o Brasil sem autorização entre 1955 e 2025. Quase metade das 218 publicações analisadas foi assinada exclusivamente por autores estrangeiros.
Para a paleontóloga Aline Ghilard, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a posse estrangeira dificulta o acesso dos pesquisadores brasileiros e concentra prestígio acadêmico no exterior.
Museus regionais ganham público e renda
O diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, Allysson Pinheiro, lembra que a volta do pequeno dinossauro Ubirajara jubatus em 2023 multiplicou o número de visitantes. “Faz parte da identidade do Cariri. Crianças e adultos agora enxergam o valor dessas riquezas”, afirma.
Legislação brasileira protege fósseis
Desde o Decreto 4.146, de 1942, fósseis pertencem à União e não podem ser comercializados. A exportação só é permitida com autorização do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e o destinatário deve manter vínculo com instituição brasileira. Países que permitem o comércio de fósseis não podem negociar peças provenientes do Brasil.
Geoparque do Araripe busca status de Patrimônio Mundial
Reconhecida em 2006 como Geoparque Global da Unesco, a Bacia do Araripe foi indicada em fevereiro de 2024 para a lista de Patrimônio Mundial. Informações da Unesco destacam a relevância geológica da área, que abrange municípios do Ceará, Piauí e Pernambuco.
A mobilização para repatriar fósseis brasileiros reforça a pesquisa científica, alimenta o turismo regional e combate desigualdades históricas. Continue acompanhando as novidades da diplomacia cultural na editoria Internacional e descubra como esses retornos podem impulsionar a economia e a educação no país.
Crédito da imagem: Joédson Alves/Agência Brasil
Fonte: Joédson Alves/Agência Brasil
