O ex-candidato Renan Santos disse que uma vitória de Flávio Bolsonaro pode concentrar mais poder que o governo Lula. Segundo ele, o domínio de Flávio no Senado e na Câmara ampliaria sua articulação política.
O ex-candidato à Presidência da República Renan Santos afirmou, em entrevista, que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) pode acarretar maior concentração de poder do que a observada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Renan, o resultado das eleições mostrou uma posição de força de Flávio em diferentes instâncias do poder, o que, na avaliação dele, ampliaria a capacidade de articulação política do futuro governo caso o candidato vença a disputa presidencial.
“O resultado das eleições mostrou Flávio dominante no Senado, dominante na Câmara e com possibilidade de nomear quem ele quiser pro STF. Então, nesse sentido, a primeira instância, um governo Flávio, sob a ótica da concentração de poder, ele vai ser um governo que vai ter mais poder do que o do Lula. E eu não acho que a família Bolsonaro com poder faz coisas boas”
Renan também se posicionou como crítico dos dois candidatos e afirmou que não declarará apoio a nenhum deles no segundo turno. Ele criticou, em especial, a falta de detalhamento de medidas econômicas apresentadas durante a campanha.
Sobre a proposta de Flávio Bolsonaro de encontrar R$ 200 bilhões ao ano para bancar medidas, Renan questionou a viabilidade do anúncio e apontou que não houve explicação suficiente sobre a origem desses recursos. Na avaliação dele, sem mudança estrutural em pontos como previdência do funcionalismo, indexações e vinculações, seria impossível alcançar esse montante.
“Não há como se arrumar 200 bilhões por ano sem mexer numa reforma da previdência no funcionalismo, nas indexações, nas vinculações e certas denúncias fiscais. Não dá. É impossível”
Além de criticar propostas de Flávio, Renan mencionou também a ausência de detalhamento nas propostas atribuídas a Lula. Ele disse que anúncios de benefícios e medidas voltadas ao alívio do endividamento das famílias precisam vir acompanhados de explicações claras sobre custos, financiamento e execução.
O posicionamento de Renan ressalta a percepção de que o cenário pós-eleitoral poderá ter impacto significativo na distribuição de poder entre os poderes e nas escolhas para cargos de alta relevância, caso as previsões de domínio parlamentar e indicações para o Supremo Tribunal Federal se confirmem.
