Departamento de Estado publicou relatório de 100 páginas que diz que Havana exerce influência política, ideológica e de inteligência em vários países. Diz que a maior ameaça é política, não econômica ou militar.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um relatório de aproximadamente 100 páginas intitulado “Cuba: The Capital of 21st Century Communism”, que traz uma das avaliações mais rigorosas já feitas pelo governo americano sobre o papel internacional do regime cubano desde a Revolução de 1959.
Segundo o documento, a principal ameaça representada por Cuba não reside em seu poder econômico ou militar, mas na capacidade de exercer influência política, ideológica e de inteligência em diversos países ao longo de décadas. O relatório sustenta que Havana desenvolveu uma estratégia permanente de “subversão” dos interesses dos Estados Unidos por meio de espionagem, propaganda, formação de militantes e apoio a movimentos revolucionários.
O texto está dividido em nove capítulos, que tratam de temas como a formação do Estado revolucionário cubano, a exportação da revolução, operações de inteligência, redes internacionais de influência, turismo político, organizações de fachada e alianças com governos considerados adversários dos Estados Unidos.
Entre as afirmações mais sensíveis do relatório está a de que Cuba exerceu influência sobre gerações de ativistas e organizações políticas muito além da América Latina. O Departamento de Estado afirma que o regime investiu durante décadas na aproximação com universidades, grupos políticos, organizações internacionais e movimentos ideológicos para ampliar sua capacidade de influência no Ocidente.
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Outro ponto de destaque é a alegação de que Havana manteve uma das operações de espionagem estrangeira mais duradouras contra os Estados Unidos, conseguindo infiltrar agentes e estabelecer redes de inteligência com alcance político significativo. O relatório ainda menciona que Cuba utilizou organizações e indivíduos simpáticos ao regime para promover sua agenda internacional.
O documento estabelece uma ligação entre a estratégia histórica do governo cubano e acontecimentos políticos recentes nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Estado, episódios como os protestos após a morte de George Floyd, o crescimento do movimento Antifa e manifestações pró-Palestina em universidades americanas teriam sido influenciados, em algum grau, por redes e estratégias desenvolvidas ao longo de décadas pelo regime cubano. Contudo, essa relação é apresentada como uma avaliação do governo americano e é uma das conclusões mais contestadas por especialistas e analistas independentes.
Outro aspecto enfatizado pelo relatório é a aproximação de Cuba com países e organizações considerados hostis aos interesses americanos, incluindo Irã, Venezuela, Nicarágua e outros parceiros estratégicos. Segundo o documento, essas alianças fazem parte de uma política externa voltada para enfraquecer a influência dos Estados Unidos e da ordem internacional liderada pelo Ocidente.
A publicação representa uma mudança importante no discurso oficial de Washington. Em vez de tratar Cuba apenas como uma ditadura comunista ou um problema regional, o relatório classifica o país como o principal centro articulador do comunismo contemporâneo e de uma rede global de influência ideológica.
As conclusões geraram forte repercussão. Pesquisadores e especialistas reconhecem que Cuba apoiou movimentos revolucionários e realizou operações de inteligência durante a Guerra Fria, mas contestam a amplitude das conexões feitas entre o regime cubano e movimentos sociais contemporâneos nos Estados Unidos. Para esses críticos, o documento mistura fatos históricos amplamente documentados com interpretações políticas que permanecem objeto de debate.
