Das 52 instituições brasileiras avaliadas pelo CWUR em 2026, 45 perderam posições globais. Apenas cinco avançaram. O cenário acende alerta sobre a qualidade do ensino superior no país.
O desempenho das universidades brasileiras no ranking global do CWUR, divulgado em 1º de junho de 2026, apresentou uma queda significativa. Das 52 instituições avaliadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, indicando um cenário desafiador para o ensino superior no Brasil.
Segundo o levantamento, apenas cinco universidades conseguiram avançar no ranking, enquanto duas mantiveram suas posições. Isso significa que 87% das instituições avaliadas tiveram um desempenho inferior ao do ano passado. A análise considerou um total de 21,2 mil instituições, destacando as 2 mil melhores.
A principal razão para esse recuo, conforme apontado pelo CWUR, refere-se à piora no desempenho em pesquisa, impulsionada pela forte concorrência de universidades estrangeiras bem financiadas. A pesquisa tem um peso de 40% na avaliação geral e abrange critérios como produção de artigos, publicações em periódicos de destaque, influência e citações.
Os outros critérios avaliados incluem educação e empregabilidade, ambos com peso de 25%, que medem o sucesso acadêmico e profissional dos ex-alunos, além da qualificação do corpo docente, que representa 10% da pontuação total, levando em conta premiações recebidas pelos professores.
No ranking de 2026, a Universidade de São Paulo (USP) ocupa a 119ª posição, uma queda em relação ao ano anterior, com recuos nos quesitos educação, corpo docente e pesquisa. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) registrou uma queda de 15 posições, ficando em 346º lugar, enquanto a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desceu para 379º.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) manteve sua posição em 476º, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ficou em 479º. Outras instituições que figuram na lista incluem a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 508º; a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 621º; e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na 732ª posição.
Nadim Mahassen, presidente do CWUR, comentou que “o declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”. Ele ressaltou que “as universidades brasileiras estão lutando para oferecer uma educação de alta qualidade, atrair e reter talentos e produzir pesquisa de qualidade em escala”.
Mahassen também enfatizou que “este não é apenas um problema acadêmico, mas nacional, pois a erosão do sistema de ensino superior do Brasil prejudica o desenvolvimento científico, a inovação e o futuro de longo prazo do país”. Apesar das dificuldades, as instituições brasileiras continuam a se destacar na América Latina e no Caribe, ocupando as dez primeiras colocações regionais e superando a Universidade Nacional Autônoma do México, que ocupa a 287ª posição.
No panorama internacional, o ranking é dominado por universidades dos Estados Unidos, que garantiram oito das dez primeiras posições. Harvard lidera pelo 15º ano consecutivo, seguida por MIT e Stanford, enquanto Cambridge e Oxford, do Reino Unido, aparecem na 4ª e 5ª colocação, respectivamente. O ranking também evidenciou um avanço das universidades chinesas, que superam em número as norte-americanas, refletindo um crescimento substancial impulsionado por investimentos contínuos.
