A campanha do PT aposta em desconstruir a biografia de Flávio, explorar declarações e ampliar ações nas redes para reduzir a vantagem no segundo turno. A estratégia está em alinhamento com as bases estaduais e já começou a rodar online.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha com três eixos principais para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições. A estratégia ainda está em fase de consolidação com as bases estaduais, mas parte das ações já começou a ser colocada em prática nas redes sociais.
O primeiro eixo, apontado como o principal pela campanha, prevê a desconstrução da biografia de Flávio Bolsonaro. Uma das apostas é explorar declarações do candidato para desgastá‑lo durante a disputa. Entre os primeiros pontos escolhidos está uma fala de Flávio sobre uma medida relacionada à Constituição; a intenção é usar as redes para sustentar que o adversário teria a intenção de alterar direitos da população.
O segundo eixo envolve a discussão de projetos e a tentativa de pressionar Flávio Bolsonaro a se posicionar sobre pautas consideradas populistas. A avaliação interna da campanha é que o debate deve ser direcionado para propostas de país, numa tentativa de ampliar a comunicação com o eleitorado de centro e com os indecisos. A ideia é forçar clareza sobre propostas e criar contrastes programáticos sem limitar a disputa a ataques pessoais.
O terceiro eixo é a defesa do legado de Lula. A orientação da cúpula do PT é não limitar a estratégia apenas à trajetória política do presidente, mas destacar projetos e medidas implementados durante os governos de Lula. O objetivo declarado é apresentar resultados concretos e medidas que a campanha considera como benefícios já entregues à população.
A estratégia segue em ajustes com as estruturas estaduais do partido, mas já está ativa na esfera federal. A campanha também tem acionado jovens parlamentares eleitos para ampliar o alcance nas redes sociais e diversificar a comunicação com públicos distintos.
Entre os nomes que integram essa estratégia estão Ana Elisa, do PT de Minas Gerais; Guilherme Cortez, do PSOL de São Paulo; e Ana Julia Ribeiro, do PT do Paraná. Ana Elisa foi eleita para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, enquanto Guilherme Cortez e Ana Julia Ribeiro foram eleitos para a Câmara dos Deputados. Na esfera nacional, André Janones, da Rede, e Érika Hilton, do PSOL, também são considerados apostas para ampliar a divulgação de conteúdos favoráveis a Lula nas redes sociais.
O plano segue em construção com articulação entre diretórios estaduais e a coordenação nacional, e a execução nas plataformas digitais é apontada pela campanha como essencial para tentar recuperar eleitores e influenciar indecisos no segundo turno.
