A National Farmers Union pressiona o governo britânico por fiscalizações mais rígidas. Produtores temem que corte nas compras da UE redirecione carne brasileira ao Reino Unido e aumente a concorrência doméstica.
Entidades representativas de produtores rurais do Reino Unido estão fazendo pressão sobre o governo britânico para aumentar o controle sobre as importações de carne brasileira. Essa ação surge em meio à preocupação de que uma possível diminuição das compras pela União Europeia possa fazer com que exportadores brasileiros redirecionem parte de seus produtos para o mercado britânico, intensificando a concorrência com os produtores locais.
A National Farmers Union (NFU), uma das principais organizações do setor, levantou o alerta sobre essa situação. A entidade exige que sejam tomadas medidas para evitar que alterações no fluxo comercial europeu afetem negativamente os pecuaristas e avicultores britânicos.
Os produtores britânicos estão preocupados com a possibilidade de que a carne destinada à União Europeia acabe sendo desviada para o Reino Unido. Em 2025, a União Europeia importou 211 mil toneladas de carne de frango brasileira, consolidando o Brasil como o maior fornecedor do bloco. No que diz respeito à carne bovina, foram 92 mil toneladas, sendo 24 mil toneladas de carne in natura.
“Existe um risco real de que a carne bovina e de frango brasileira originalmente destinada à UE seja desviada para o mercado do Reino Unido, distorcendo o comércio e colocando pressão adicional sobre os produtores domésticos”, afirmou o presidente da NFU, Tom Bradshaw.
Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), realizado em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou que a prioridade do governo brasileiro é garantir a continuidade das exportações das cadeias produtivas de ciclo mais curto, como a avicultura. “Estamos focados para que os efeitos não possam chegar às cadeias cujo ciclo é menor e, portanto, tenham condições de seguir fornecendo o nosso produto já no início de setembro”, afirmou.
A NFU também manifestou a necessidade de que o governo britânico endureça os critérios para a entrada de produtos brasileiros de origem animal. A organização deseja que quaisquer restrições permaneçam em vigor até que o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) conduza uma auditoria presencial dos sistemas de produção e rastreabilidade no Brasil.
Além disso, a NFU solicita um aumento nos testes realizados em produtos brasileiros nas fronteiras do Reino Unido. De acordo com a entidade, apenas 94 amostras foram analisadas para detectar resíduos de medicamentos veterinários entre 2023 e 2024.
Essa pressão ocorre em um momento em que o Brasil busca expandir e diversificar seus mercados para a carne bovina, sendo a União Europeia e o Reino Unido considerados destinos estratégicos devido ao valor agregado das exportações. A NFU argumenta que um aumento nas importações brasileiras poderia elevar a oferta e pressionar os preços que os produtores britânicos recebem por seu trabalho. Para finalizar, a entidade defende mudanças na rotulagem, exigindo informações mais claras sobre o país de origem da carne, especialmente no setor de alimentação fora do lar.
“Manter a confiança na carne britânica deve continuar sendo uma prioridade e é por isso que defendemos uma rotulagem clara sobre o país de origem, especialmente no setor de alimentação fora do lar”, disse Bradshaw.

