Ataques, vazamentos do caso Master e operação contra um desembargador aliado aumentaram a pressão sobre o ministro do STF. O movimento pode favorecer Fausto Mendanha, apoiado por Flávio Dino e Gilmar Mendes.
Uma disputa que vinha nos bastidores do Judiciário ficou mais tensa nesta semana. A ofensiva contra o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), avançou em frentes diferentes: ataques dentro da Corte, vazamentos ligados ao caso Master e uma operação que atingiu um desembargador aliado. O movimento deve produzir efeitos na corrida por uma vaga no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Nunes Marques tenta emplacar seu juiz auxiliar Henrique Gouveia. Flávio Dino e Gilmar Mendes apoiam Fausto Mendanha. O ex-deputado Elias Vaz, amigo de Dino, ajudou a levar o nome do magistrado ao ministro, e Mendes aderiu à articulação depois.
Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o desgaste de Nunes Marques pode enfraquecer seu candidato e pesar na escolha que cabe ao presidente Lula.
A disputa já circulava nos bastidores desde julho deste ano, mas o caso Master forneceu novos elementos que intensificaram a contenda.
A cadeira no TRF-1 está aberta desde a aposentadoria do desembargador Novély Vilanova. Em fevereiro, o tribunal enviou ao Planalto uma lista com três candidatos: Fausto Mendanha, Itagiba Catta Preta e Henrique Gouveia. Mendanha obteve 31 votos, Catta Preta 27 e Gouveia 24.
Formalmente os três permanecem na disputa. Nos bastidores, interlocutores do governo consideram Catta Preta sem chances em razão de ter suspendido a posse de Lula na Casa Civil, em março de 2016. Assim, a batalha ficou concentrada entre Mendanha e Gouveia.
O TRF-1 é o maior dos seis tribunais regionais federais e tem jurisdição sobre o Distrito Federal e 12 estados. Por sediar decisões com grande impacto político e econômico, sobretudo envolvendo a União e autarquias, a escolha para a corte é considerada estratégica: a definição influenciará qual ala do STF ampliará seu espaço nesse tribunal.
Nunes Marques construiu carreira no TRF-1 e manteve influência depois de chegar ao Supremo. Ele já teve sucesso em indicações anteriores: em novembro de 2023 conseguiu levar João Carlos Mayer ao TRF-1, enquanto Dino defendia outro nome; também houve indicações apoiadas por Nunes que resultaram em nomeações para instâncias superiores.
O caso Master passou a oferecer munição aos adversários. Informações extraídas dos celulares do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo Banco Master, citam o nome de Kevin Marques, filho do ministro. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, Kevin teria recebido aproximadamente R$ 300 mil da Consult Inteligência, empresa que também recebeu recursos do Master. Em notas divulgadas à imprensa, Kevin negou ter prestado serviços ao banco ou recebido dinheiro de Vorcaro.
Na quinta-feira 24, a Polícia Federal auxiliou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em operação no gabinete do desembargador Newton Ramos, do TRF-1. Agentes copiaram o disco rígido do computador usado pelo magistrado e recolheram informações sobre processos do setor sucroalcooleiro. O procedimento foi determinado pelo corregedor do CNJ, Benedito Gonçalves, indicado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por Lula e apontado como próximo da ala de Mendes no STF.
O pano de fundo envolve decisões tomadas por Ramos e um contrato firmado posteriormente pela mulher e pelo filho dele com o Master, cujo acordo previa honorários que poderiam chegar a R$ 427 milhões em causas relacionadas a precatórios no setor.
O cerco a Nunes Marques avança em duas direções: coloca sob suspeita indicações já concretizadas por ele e dificulta a confirmação de um novo nome ligado ao ministro. Lula acompanha a movimentação. Escolher o auxiliar de Nunes significaria preservar a força do ministro apesar da crise. Nomear Gonzaga entregaria a Dino e Mendes uma vitória na tentativa de conter o rival.

