Pré-natal integral cai entre indígenas e gestantes com pouca escolaridade é a conclusão de um estudo baseado em mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) em 2023, que aponta grandes desigualdades no acompanhamento da gravidez no Brasil.
Pré-natal integral cai entre indígenas e gestantes com pouca escolaridade
De acordo com a pesquisa desenvolvida pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel), em parceria com a organização Umane, 99,4% das grávidas iniciam o pré-natal, mas apenas 78,1% chegam à sétima consulta – número mínimo recomendado desde 2024 pelo Ministério da Saúde.
A queda é mais acentuada entre mulheres com menos anos de estudo: enquanto 86,5% das gestantes com maior escolaridade completam as sete consultas, o percentual despenca para 44,2% entre aquelas com baixa escolaridade. O contraste se amplia quando se observa a origem étnico-racial. Apenas 19% das indígenas com pouca instrução cumprem todo o cronograma, taxa distante dos 88,7% verificados entre mulheres brancas com 12 anos ou mais de estudo.
No recorte geral por raça e cor, 51,5% das mulheres indígenas concluem o pré-natal, contra 84,3% das brancas, 75,7% das pretas e 75,3% das pardas. Entre as indígenas, o abandono do acompanhamento chega a 46,2 pontos percentuais, três vezes superior ao observado entre brancas (15,3 p.p.).
As disparidades regionais também chamam atenção. No Norte, somente 63,3% das gestantes têm o direito ao pré-natal plenamente garantido. Nordeste (76,1%) e Centro-Oeste (77%) ocupam posições intermediárias, enquanto Sudeste (81,5%) e Sul (85%) detêm os melhores índices.
Para as adolescentes com menos de 20 anos, o quadro é igualmente desafiador: 67,7% recebem assistência integral, percentual inferior ao das mulheres acima de 35 anos (82,6%).
A nutricionista e doutora em saúde pública Luiza Eunice, responsável pela pesquisa no ICEH/UFPel, destaca que superar o problema requer combate ao racismo estrutural e ações específicas para populações vulneráveis. Segundo ela, oferta de transporte, vínculo com profissionais de saúde e busca ativa das gestantes precisam ser prioridade.
Evelyn Santos, gerente de Investimento e Impacto Social da Umane, reforça que o atendimento deve ser universal e equânime. “Independentemente de residência, cor ou escolaridade, o sistema precisa ser proativo com quem mais necessita”, afirma.
O pré-natal é essencial para detectar precocemente doenças, orientar sobre amamentação e reduzir riscos no parto. Informações detalhadas sobre exames e calendários podem ser consultadas na página da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência nacional em saúde pública.
Este cenário de desigualdades reforça a importância de políticas como a Rede Alyne, lançada em 2024 pelo governo federal, que pretende cortar em 25% a mortalidade materna geral e pela metade os óbitos de gestantes negras até 2027.
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Crédito da imagem: Agência Brasil/Marcello Casal Jr./Arquivo
Fonte: Agência Brasil
