Paulo Gonet se opôs à prisão domiciliar de Daniel Vorcaro e pediu que o STF mantenha a preventiva. Ministro André Mendonça decide o próximo passo do caso.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra o pedido da defesa do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar. A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não surgiram fatos novos que justificassem a alteração da medida cautelar. Apesar de defender a manutenção da prisão preventiva, a PGR não indicou qual unidade deverá receber Vorcaro, argumentando que cabe ao Supremo determinar o local mais adequado, considerando fatores como o grau de risco atribuído ao empresário e sua segurança pessoal.
Atualmente, Vorcaro encontra-se custodiado na Superintendência da Polícia Federal, onde permanece desde a assinatura de um termo de confidencialidade relacionado às negociações para um acordo de colaboração premiada. Com a continuidade desse impasse nas tratativas, a Polícia Federal solicitou ao STF a remoção do empresário da unidade. Segundo os investigadores, a permanência de Vorcaro nesse local poderia interferir no andamento das apurações.
Ele ocupa uma sala adaptada que, em um passado recente, foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão sobre uma eventual transferência será de responsabilidade do ministro Mendonça.
Entre as opções disponíveis no Distrito Federal para a custódia de Vorcaro estão a Penitenciária Federal de Brasília, que é administrada pela União e destinada a presos considerados de alta periculosidade, e o Complexo da Papuda, gerido pelo governo do Distrito Federal e composto por diversas unidades prisionais.
Além disso, a PGR também rejeitou uma nova tentativa de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. Em outra manifestação enviada ao STF, a Procuradoria alegou que a nova proposta não trouxe informações inéditas que pudessem contribuir para as investigações ou justificar a concessão de benefícios ao investigado.
A posição da PGR segue a avaliação da Polícia Federal, que já havia se manifestado contra o acordo na semana anterior. Ambos os órgãos consideraram insuficiente o compromisso apresentado em relação à devolução de recursos, um dos requisitos fundamentais para o avanço das negociações. Os investigadores concluíram que a proposta apenas repetiu informações já conhecidas pelas autoridades, não representando uma colaboração efetiva nas apurações em curso.
