A PGR concluiu que o depoimento de Vorcaro não trouxe provas suficientes e pediu o fim das investigações. O banqueiro disse ter sido ameaçado e havia solicitado ser ouvido com urgência ao gabinete de André Mendonça.
A Procuradoria‑Geral da República (PGR) pediu, nesta quarta‑feira (02/09/2026), o arquivamento do depoimento prestado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, no qual ele relatou ter sofrido supostas ameaças. A decisão foi tomada após análise do conteúdo da oitiva e da sua capacidade probatória.
Mais cedo, o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou que Vorcaro prestou depoimento por “estar sofrendo graves intimações” e que o banqueiro “solicitou ser ouvido com urgência”. Segundo a nota do gabinete, a oitiva teria ocorrido na semana anterior, na quinta‑feira (27), e contou com a presença de um representante do Ministério Público, mas não houve a presença de policiais da Polícia Federal (PF), responsável pela investigação de Vorcaro, sob alegação de proteção à integridade física e psicológica do depoente.
“A não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete.”
Na avaliação da PGR, no entanto, o conteúdo do depoimento não apresentou elementos suficientes para impulsionar as investigações em curso. Em manifestação técnica, a Procuradoria afirmou que o relato não trouxe fatos concretos ou juridicamente delimitados capazes de motivar medidas investigativas adicionais.
“Do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata‑se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas”
Além do pedido de arquivamento pela PGR, documentos e mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que ele se reuniu com André Mendonça em 14 de março de 2025, em São Paulo. O encontro teria durado cerca de duas horas e, conforme o material, teria ocorrido no endereço de um instituto fundado pelo ministro.
As mensagens também mostram que a aproximação entre o banqueiro e o ministro foi articulada ao longo de semanas por meio do advogado Ciro Rocha Soares e do deputado federal Cezinha de Madureira (PL‑SP). Em um áudio encaminhado a Vorcaro em 8 de fevereiro de 2025, o advogado disse que vinha atuando em favor do banqueiro, relatou ter levado o ministro a uma alfaiataria e enviou uma foto ao lado de Mendonça. Em outro trecho das mensagens, Ciro afirmou ter tratado com o ministro sobre problemas do Banco Master junto ao Banco Central e que Mendonça desejava receber Vorcaro.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”
Com o pedido de arquivamento, caberá aos responsáveis pela investigação e às instâncias competentes avaliar os desdobramentos e eventual necessidade de novas providências. A PGR manteve, em sua manifestação, a exigência de elementos probatórios claros para qualquer continuidade processual.
