Jaques Wagner virou alvo da Polícia Federal após buscas nesta quinta (18). Senador baiano é suspeito de usar o mandato para beneficiar o Banco Master em três frentes distintas.
O senador Jaques Wagner (PT-BA), que é líder do governo Lula no Senado, está sendo investigado pela Polícia Federal por sua atuação em favor do Banco Master em pelo menos três frentes. As informações foram reveladas após a realização de buscas em endereços vinculados ao parlamentar nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026.
A investigação aponta que Wagner utilizou seu mandato para promover interesses do Banco Master, incluindo propostas para ampliar o crédito consignado, iniciativas relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o acompanhamento da tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Essas medidas, segundo a PF, eram consideradas estratégicas para as fraudes em que estaria envolvido Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
A defesa de Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre a nona fase da Operação Compliance Zero, que resultou na apreensão de 49 mil dólares, equivalentes a aproximadamente R$ 252 mil, em um imóvel ligado ao senador. O espaço permanece aberto para qualquer declaração por parte da defesa.
Conforme a Polícia Federal, o senador manteve uma interlocução direta com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, sobre propostas legislativas que poderiam beneficiar o Banco Master. Lima, que já havia sido alvo da primeira fase da operação em novembro, voltou a ser alvo de ações da PF, com mandados de busca e apreensão em locais na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
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A defesa de Lima alegou que as buscas realizadas foram “desnecessárias”.
A primeira frente de atuação de Wagner se refere à ampliação do crédito consignado. A PF afirma que o senador esteve envolvido em medidas que buscavam aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, assim como para aposentados e pensionistas do INSS. As discussões também incluíram a possibilidade de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda terem acesso a empréstimos consignados.
Os investigadores relatam que esta articulação resultou em uma emenda que foi incorporada à legislação, ampliando o acesso a essa modalidade de crédito. A PF destaca que essa pauta tinha ligação direta com os negócios de Augusto Lima, que implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos durante os governos de Wagner na Bahia, um modelo que posteriormente foi integrado ao Banco Master.
A segunda frente de atuação envolve discussões sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade que protege depositantes e investidores em caso de falências financeiras. A ampliação da cobertura do fundo, que não se concretizou, era de interesse do Banco Master, que utilizava a garantia do FGC para captar recursos no mercado. A PF já havia apontado que o senador Ciro Nogueira apresentou emenda similar, embora ele negue irregularidades.
Por fim, a terceira frente de investigação diz respeito ao acompanhamento de Wagner na tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Para a PF, essa operação era vista como estratégica para o futuro do banco, mas acabou sendo rejeitada pelo Banco Central.
Além disso, diálogos extraídos do celular de Augusto Lima indicam que ele teria emprestado seu avião particular para Wagner e financiado ingressos para um camarote em um show em Los Angeles. A PF afirma que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina ao senador, incluindo a compra de um apartamento de luxo no valor de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para a empresa de familiares.
