PF investiga emendas parlamentares sem considerar estatura política — A Polícia Federal apura possíveis desvios no chamado “orçamento secreto” e, segundo o diretor-geral Andrei Rodrigues, a instituição não leva em conta a projeção política, econômica ou social dos suspeitos durante as investigações.
Direção da PF reforça imparcialidade na Operação Transparência
Em conversa com jornalistas na sede da corporação em Brasília, Rodrigues declarou que todos os elos da Operação Transparência serão analisados “com serenidade, seriedade e responsabilidade”. O foco recai sobre a liberação de recursos de emendas de relator (RP9) e de comissão, mecanismos que, pela falta de identificação de padrinhos políticos, facilitariam a ocultação de beneficiários.
A principal alvo da ofensiva é a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora ligada ao deputado Arthur Lira (PP-AL). De acordo com decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), há indícios de atuação “contínua, sistemática e estruturada” de Fialek para destravar verbas do orçamento secreto.
“Não há caça às bruxas”, diz Andrei Rodrigues
Rodrigues salientou que a corporação “não se deixa abalar por pressões políticas” e refutou a ideia de criminalizar o instrumento da emenda parlamentar. “A emenda é legítima. O que investigamos é o desvio de finalidade”, afirmou, evitando revelar quantos inquéritos estão em curso, pois tramitam sob sigilo em diferentes gabinetes do STF.
O diretor criticou parlamentares que, em discursos, se posicionam contra o crime organizado, mas resistem à aprovação de projetos que reforçam o combate à corrupção. Para ele, o enfrentamento deve ser responsabilidade de todo o Legislativo.
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Contexto da investigação sobre o orçamento secreto
O uso das emendas RP9 ganhou volume durante a presidência de Arthur Lira na Câmara, período em que o mecanismo foi apontado por especialistas como instrumento de barganha política. A Operação Transparência busca mapear se houve intermediação de agentes públicos ou particulares na destinação irregular de recursos.
Até o momento, Lira não figura formalmente como investigado, mas a PF pretende seguir todas as “etapas da cadeia de liberação”, avaliando desde a origem da dotação orçamentária até a execução final.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
