Mauro Vieira se reuniu com representante comercial americano em Paris e avançou nas conversas sobre tarifas de exportação. Washington sinalizou abertura para continuar o diálogo.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira, 3, que o Brasil tenta negociar com os Estados Unidos um acordo sobre novas tarifas para exportações. A declaração foi feita após um encontro com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), durante reuniões da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.
Segundo informações de agências, Greer informou ao chanceler brasileiro que Washington está aberto a continuar as conversas sobre as medidas comerciais em discussão. Vieira respondeu que o Brasil compartilha desse entendimento e considera essencial ampliar as negociações, especialmente diante das recomendações apresentadas pelo governo norte-americano.
A aproximação entre os dois países acontece um dia após a conclusão de uma investigação comercial realizada pelo USTR, que sugeriu a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Essa proposta faz parte de um conjunto de medidas avaliadas pela administração do presidente Donald Trump.
O governo brasileiro busca uma solução diplomática para evitar a implementação das tarifas. A estratégia envolve contatos entre o Itamaraty, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da possibilidade de diálogos em níveis mais elevados entre os dois governos.
O encontro entre Vieira e Greer foi interpretado como um sinal de que os canais de diálogo permanecem abertos, apesar do aumento das tensões comerciais. Os Estados Unidos figuram como um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Caso as medidas avancem, setores exportadores brasileiros poderão enfrentar aumento de custos e perda de competitividade no mercado norte-americano.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou preocupação com os desdobramentos da relação e, em posicionamento oficial, pediu uma postura mais diplomática do governo federal, visando evitar uma escalada de prejuízos na cadeia de exportação.
