A Polícia Federal (PF) divulga hoje, 6 de agosto de 2026, o relatório final da investigação criminal relacionada ao acidente do avião da Voepass. O trágico evento ocorreu no dia 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, interior de São Paulo, resultando na morte de 62 pessoas.
Diferentemente do relatório já apresentado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que foi divulgado em 23 de julho, a investigação da Polícia Federal foca na atribuição de responsabilidades criminais e indiciamentos individuais, buscando esclarecer os envolvidos no caso.
Informações obtidas a partir da caixa-preta do avião revelam que a aeronave apresentava falhas recorrentes que não foram sinalizadas pelas tripulações durante os voos. A transcrição dos diálogos, que faz parte do laudo da PF, aponta que a perda de controle em voo foi causada pelo acúmulo de gelo na aeronave, pela inoperância do sistema pneumático de degelo e pela não execução adequada e tempestiva dos procedimentos necessários para lidar com a falha no sistema de degelo, que resultou em degradação de performance, condições severas de gelo e estol (perda de sustentação).
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No relatório, é destacado que os pilotos estavam cientes sobre a falha no sistema de degelo, uma vez que, no voo anterior, entre Guarulhos e Cascavel, o alerta AIRFRAME FAULT foi acionado oito vezes, e a tripulação realizou resets do dispositivo ao menos cinco vezes para tentar corrigir a situação.
O relatório do Cenipa, divulgado em 23 de julho, concluiu que o acidente foi resultado de uma série de falhas que envolveram a empresa, a aeronave, os pilotos e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A Anac, em nota, afirmou que irá analisar o relatório da PF, ressaltando que o trabalho do Cenipa não se concentra em atribuição de culpa. Por sua vez, a Voepass se defendeu, afirmando que, ao longo de seus 30 anos de atuação, sempre adotou práticas rigorosas de segurança e capacitação de sua tripulação.
A investigação identificou 19 fatores que influenciaram na queda do avião, sendo 15 deles considerados como contribuições diretas para o acidente. Os fatores restantes foram classificados como de contribuição indeterminada.
