Petro acusa Equador de bombardeio; Noboa nega operação
Petro acusa Equador de bombardeio em área fronteiriça colombiana, alegando que artefatos explosivos teriam sido lançados a partir de aeronaves equatorianas. O presidente Gustavo Petro afirmou que há gravações que comprovariam o episódio e defendeu sua divulgação ao público.
Acusação colombiana e busca por apoio dos EUA
Durante reunião ministerial em Bogotá, em 16 de março, Petro relatou “várias explosões” perto da divisa e declarou ter solicitado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intervenha para evitar um conflito. “A soberania nacional deve ser respeitada”, disse o mandatário, sinalizando que não deseja uma escalada militar, mas cobrando esclarecimentos imediatos.
Noboa responde e responsabiliza grupos ligados ao narcotráfico
No dia seguinte, o presidente equatoriano Daniel Noboa refutou a acusação por meio de rede social. “Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos agindo em nosso território, não no seu”, escreveu. Noboa afirmou que as operações miram esconderijos de quadrilhas consideradas terroristas pelo seu governo e responsabilizou a Colômbia por permitir a infiltração do grupo liderado por Adolfo Macías, o “Fito”.
Tensão comercial agrava o cenário diplomático
A crise atual soma-se a atritos iniciados em fevereiro, quando Quito impôs tarifa de 30% sobre produtos colombianos, justificando a medida como “taxa de segurança”. Bogotá retaliou suspendendo o fornecimento de energia elétrica ao Equador e aplicou tarifa equivalente sobre 70 itens importados do vizinho. O impasse econômico ampliou o desgaste entre as duas administrações.
Aproximação de Quito com Washington
Paralelamente, o Equador intensificou parcerias com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico. Recentemente, inaugurou em Quito a primeira sede oficial do FBI na América do Sul e firmou acordos para operações conjuntas, respaldados por sucessivos decretos de estado de emergência. De acordo com a agência Reuters, tais pactos refletem o esforço de Washington para reforçar influência militar na região.
Impactos políticos internos no Equador
O governo Noboa também vive turbulência doméstica: na semana anterior, o Tribunal Eleitoral suspendeu por nove meses o registro do principal partido de oposição, Revolução Cidadã, do ex-presidente Rafael Corrêa, sob investigação de lavagem de dinheiro. A medida pode comprometer a legenda nas eleições locais de 2027, aumentando a polarização política.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas veem a disputa fronteiriça como teste para a estabilidade andina. Caso a investigação confirme a origem equatoriana dos explosivos, cresce o risco de sanções diplomáticas ou de ações na Corte Internacional de Justiça. Se ficar provado o contrário, Petro poderá enfrentar pressões internas para reforçar o controle das próprias fronteiras.
Conforme a crise evolui, chanceleres dos dois países estudam uma reunião presencial mediada pela Organização dos Estados Americanos, embora ainda não haja data definida.
No fechamento, o episódio evidencia o impacto de questões de segurança transnacional nos laços econômicos e políticos da América do Sul. Acompanhe novos desdobramentos na editoria Internacional e fique informado sobre a região.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
