Aos 83 anos, o treinador tetracampeão deixou o Hospital Samaritano, no Rio, neste sábado, depois de 80 dias de internação. A alta, celebrada por família e admiradores, segue tratamento intensivo por complicações pulmonares.
Carlos Alberto Parreira voltou para casa neste sábado, 5. Aos 83 anos, o treinador que comandou a Seleção Brasileira na conquista do tetracampeonato em 1994 deixou o Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, após 80 dias de internação.
A saída do hospital foi acompanhada por familiares, funcionários e admiradores. Parreira havia sido internado em 16 de junho em razão de um quadro pulmonar grave. Durante o período de internação, ele teve complicações que exigiram cuidados intensivos, incluindo ventilação mecânica invasiva e hemodiálise. Doze dias depois da internação, passou por uma cirurgia para cauterizar um sangramento nasal.
O treinador convive há anos com linfoma de Hodgkin, doença que afeta o sistema linfático. Segundo o Hospital Samaritano, a insuficiência respiratória aguda que motivou a internação provavelmente estava relacionada a uma toxicidade pulmonar provocada por medicamentos.
Parreira passou por um período considerado de extrema gravidade antes de apresentar evolução clínica que permitiu a alta. A partir de agora, ele continuará sendo acompanhado em casa e em consultas ambulatoriais.
A recuperação ocorreu enquanto o futebol brasileiro e mundial viviam desdobramentos que, em outras circunstâncias, prenderiam sua atenção. Parreira só esteve fora do hospital na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, em 13 de junho; a partir da segunda partida, acompanhou o Mundial internado, inclusive a eliminação brasileira diante da Noruega, em 5 de julho. Também no hospital, acompanhou a campanha de Lionel Messi na competição; em 31 de agosto, ainda internado, presenciou o anúncio da despedida do jogador da seleção argentina.
Agora em casa, Parreira poderá acompanhar de outra maneira os próximos passos da Seleção Brasileira, inclusive a convocação que será feita pelo técnico Carlo Ancelotti na quarta-feira, 9.
A trajetória do treinador ajuda a explicar a demonstração de carinho recebida na saída do hospital. Pela Seleção, Parreira dirigiu 117 partidas, com 64 vitórias, 39 empates e 14 derrotas. Além da Copa do Mundo de 1994, conquistou a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2005. Sua relação com a Seleção começou antes do trabalho que resultou no tetracampeonato: Parreira integrou, como preparador físico, a comissão técnica do Brasil campeão mundial em 1970 e também esteve na equipe que conquistou a Copa das Confederações em 2013.
Ao deixar o hospital, o treinador agradeceu a manifestação de carinho recebida durante o período de internação, considerando a homenagem um reconhecimento pelas quatro décadas dedicadas ao futebol, entre clubes e Seleção. Em casa, contará com a companhia da família e de uma equipe contratada para auxiliá-lo nos cuidados, além de receber visitas de amigos durante a recuperação.
Aos 80 anos, em 2023, Parreira já havia sido homenageado por confederações e clubes, e a festa na saída do hospital mostrou que o reconhecimento público permanece.
