Parcerias comerciais Brasil e Rússia: países miram energia e saúde
Parcerias comerciais Brasil e Rússia ganharam novo impulso após o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado em 5 de fevereiro no Itamaraty, em Brasília. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, assinaram declaração conjunta que defende o uso pacífico da energia nuclear, amplia a cooperação em saúde e propõe diversificar o comércio bilateral.
Energia nuclear e radioisótopos na agenda
O documento firmado pelos dois governos destaca interesse comum em projetos de geração de energia nuclear, no ciclo de combustível e na atualização da base jurídica da cooperação. Há prioridade para radioisótopos medicinais, considerados essenciais para diagnóstico e tratamento oncológico. Segundo Mishustin, a Rússia estuda transferir tecnologia para acelerar a produção desses insumos no Brasil, alinhando-se às recomendações da Agência Internacional de Energia Atômica.
Multilateralismo e críticas a sanções unilaterais
No texto conjunto, Brasil e Rússia reiteram apoio ao multilateralismo e classificam sanções e medidas coercitivas unilaterais contra países em desenvolvimento como “ilícitas” e “incompatíveis” com a Carta das Nações Unidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mensagem enviada ao fórum, defendeu mecanismos de acompanhamento para garantir resultados rápidos que reflitam o peso econômico das duas nações.
Comércio agrícola permanece forte, mas precisa diversificar
O fluxo comercial alcançou US$ 11 bilhões em 2025, com saldo favorável à Rússia. Alckmin reconheceu a concentração em produtos primários — fertilizantes russos e commodities agrícolas brasileiras — e propôs elevar o envio de bens industrializados, além de estimular parcerias em tecnologia, energia renovável e segurança cibernética. Mishustin, por sua vez, lembrou que o mercado brasileiro absorve mais da metade das exportações russas destinadas à América Latina e defendeu projetos de longo prazo em química fina, petróleo e gás, exploração espacial e indústria farmacêutica.
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Saúde, cibersegurança e transferência de tecnologia
A cooperação farmacêutica recebeu destaque. De acordo com o primeiro-ministro russo, já existem condições favoráveis para a entrada no Brasil de medicamentos inovadores contra câncer e diabetes, enquanto Moscou oferece apoio para acelerar a análise regulatória. Em paralelo, a Rússia propôs intercâmbio de soluções em inteligência artificial e cibersegurança, ressaltando a importância da “soberania digital” para ambos os países.
No encerramento, Alckmin enfatizou que o governo brasileiro pretende assegurar “previsibilidade e segurança jurídica” ao investidor estrangeiro, elementos fundamentais para ampliar a presença de empresas russas em território nacional e vice-versa.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
