Paquistão entrega proposta revisada do Irã aos EUA em busca de um acordo que encerre a guerra no Oriente Médio, informou fonte diplomática paquistanesa na última segunda-feira (18 de maio).
Proposta chega em meio a cessar-fogo instável
De acordo com o mediador paquistanês, o documento atualizado de Teerã foi encaminhado a Washington com a advertência de que “não há muito tempo” para que as partes conciliem posições. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmou que as observações iranianas foram repassadas aos norte-americanos por intermédio de Islamabad, mas preferiu não divulgar detalhes.
O envio ocorre após seis semanas de confrontos deflagrados por bombardeios israelenses e norte-americanos contra alvos iranianos. Desde então, vigora um cessar-fogo frágil, classificado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “respirando por aparelho”.
Pontos de impasse entre Washington e Teerã
Fontes envolvidas na mediação revelam que as divergências incluem o futuro do programa nuclear iraniano e a situação do Estreito de Ormuz, rota que escoa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta. Washington insiste no desmonte das centrifugadoras e no fim do bloqueio ao estreito. Já Teerã exige indenizações pelos danos de guerra, retomada plena de suas exportações de petróleo e garantias contra novos ataques.
Além disso, o Irã pleiteia o encerramento de todos os combates regionais, inclusive no Líbano, onde a milícia Hezbollah — apoiada por Teerã — enfrenta forças israelenses. Trump, em publicação no Truth Social divulgada recentemente, alertou que “o relógio está correndo” para o governo iraniano e sinalizou que novas ações militares permanecem sobre a mesa.
Próximos passos e pressões internas
Segundo o site Axios, Trump deve avaliar opções para retomar bombardeios em reunião com conselheiros de segurança nacional nesta terça-feira (19 de maio). Paralelamente, diplomatas paquistaneses trabalham para agendar novos encontros presenciais entre os negociadores, apesar do clima de desconfiança.
Especialistas observam que o desfecho das tratativas dependerá da disposição de ambos os lados em flexibilizar suas exigências nucleares e econômicas. Enquanto isso, mercados globais acompanham com cautela qualquer sinal de ruptura no cessar-fogo, já que o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz poderia disparar os preços internacionais do petróleo.
No momento, Islamabad evita comentar publicamente o conteúdo da proposta, limitando-se a reafirmar o compromisso de “facilitar uma solução pacífica, duradoura e que respeite a soberania de todas as nações envolvidas”.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
