No 2º tri de 2026 a receita caiu para R$4,2 bi (-9,6%) e o prejuízo foi de R$252 mi (+16,2%). A recuperação extrajudicial desde março e o fim do modelo 'aliados' reduziram oferta e puxaram as vendas (-7%).
O Grupo Pão de Açúcar atravessou um período desafiador no segundo trimestre de 2026, reportando uma receita líquida de R$ 4,2 bilhões, o que representa uma queda de 9,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O prejuízo líquido consolidado atingiu R$ 252 milhões, um aumento de 16,2% em relação ao segundo trimestre de 2025. A recuperação extrajudicial, iniciada em março, teve impacto significativo na oferta de produtos nas lojas.
O volume total de vendas caiu 7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, um resultado influenciado pelo término do modelo “aliados”, que era voltado para pequenos comércios, além da reestruturação das vendas online, agora focadas em canais próprios que oferecem maior margem. Quando se considera apenas o portfólio de lojas e o calendário, a retração nas vendas foi de 0,8%.
De acordo com a empresa, a recuperação extrajudicial afetou o abastecimento e causou um aumento temporário nos níveis de ruptura, com um pico observado em maio. No entanto, houve uma melhora gradual em junho, com a retomada das vendas e a regularização dos estoques.
Além disso, o grupo notou que, apesar dos problemas específicos deste trimestre, o cenário de demanda continua moderado e o ambiente de consumo está sob pressão. As famílias estão tendo que equilibrar seus orçamentos entre consumos discricionários e não discricionários.
As lojas Pão de Açúcar, por sua vez, registraram uma queda de 1,2% nas vendas em mesmas lojas, atribuída à ruptura de produtos e à deflação nos itens de mercearia básica. Em contrapartida, os produtos perecíveis mostraram um desempenho positivo, destacando sua relevância para os consumidores mesmo em um cenário complicado.
Preços vistos na Amazon em 09/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
No Extra Mercado, as vendas em mesmas lojas cresceram apenas 0,4%, impulsionadas por promoções que ocorreram entre maio e junho, período de aniversário da bandeira. Já as lojas de bairro, como Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, apresentaram uma queda de 2,3% no trimestre, sendo o segmento mais impactado pela ruptura e pela pressão no consumo.
No comércio eletrônico, o GPA registrou uma queda de 16,2% nas vendas, totalizando R$ 504 milhões. Apesar disso, a empresa destacou uma melhora na rentabilidade ao priorizar operações próprias, com um Ebitda ajustado de R$ 450 milhões, um aumento de 7,3%.
Com o plano de recuperação extrajudicial ainda em avaliação, o GPA simulou que, caso seja aprovado, a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, uma redução de 68%. A alavancagem da companhia poderia recuar de 3,9 vezes para 1,3 vez, de acordo com o cenário ajustado.
O CEO Alexandre Santoro mencionou que, com a homologação judicial, o prazo médio das dívidas deve se estender de 2,1 para 6,4 anos, o que reduziria os pagamentos de R$ 5,2 bilhões até 2028 para cerca de R$ 400 milhões. Santoro enfatizou que a empresa continuará a executar sua estratégia com responsabilidade e visão de longo prazo, buscando fortalecer seu posicionamento e construir uma trajetória sustentável de valor para todos os envolvidos.
No dia 4 de agosto, o GPA apresentou uma nova versão do plano de recuperação, já apoiada por 57,5% dos créditos envolvidos. Até o dia 13 de julho, 97% dos credores haviam optado por uma das opções de recebimento propostas. A expectativa é que a Justiça homologue o plano no terceiro trimestre deste ano.
Nas notas do balanço, a Ernst & Young registrou um prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre e um déficit de capital circulante líquido de R$ 4,1 bilhões, com R$ 4,39 bilhões em recursos de giro frente a R$ 8,5 bilhões em obrigações a vencer em até um ano. Essa situação é resultado da reclassificação de dívidas para o passivo circulante após o pedido de recuperação extrajudicial.
A consultoria destacou que essas circunstâncias indicam incerteza relevante, levantando dúvidas sobre a continuidade operacional da companhia. No entanto, os auditores acreditam que, com a homologação do plano, espera-se uma melhora na liquidez de curto prazo e na sustentabilidade financeira a longo prazo.
