23 países e blocos impuseram restrições às aves brasileiras após foco de doença de Newcastle em Nova Itaberaba (SC), confirmado em 18/10. Alguns cancelaram compras; outros limitaram medidas ao Estado e municípios.
Pelo menos 23 países, além de blocos econômicos, impuseram restrições à importação de produtos avícolas do Brasil depois da confirmação de focos da doença de Newcastle em Santa Catarina neste mês. Enquanto alguns mercados suspenderam compras de todo o território nacional, outros limitaram as medidas ao Estado ou aos municípios atingidos.
O primeiro foco foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus de corte localizada em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. A ocorrência levou autoridades sanitárias de diferentes países a rever as condições de importação dos produtos brasileiros.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), negociações internacionais permitiram o reconhecimento da regionalização sanitária brasileira. Com isso, parte dos mercados importadores restringiu as compras apenas às áreas afetadas, em vez de suspender as importações de todo o país.
Países que suspenderam importações de todo o Brasil
- Uruguai
- México
- Malásia
Países que limitaram restrições a Santa Catarina
- China
- Chile
- Peru
- Turquia
- Paraguai
- Uzbequistão
- Integrantes da União Econômica Eurasiática
Países que restringiram compras à área sob controle sanitário
- Arábia Saudita
- Emirados Árabes Unidos
- Japão
- União Europeia
- Reino Unido
- Coreia do Sul
- Argentina
- Canadá
- Egito
- Vietnã
Municípios sob controle sanitário
- Nova Itaberaba
- Águas Frias
- Coronel Freitas
- Nova Erechim
O Mapa declarou emergência zoossanitária por 60 dias nessas quatro cidades depois da confirmação do primeiro foco. Outros dois focos foram identificados em Coronel Freitas e Nova Erechim, dentro da mesma área de restrição sanitária.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o reconhecimento da regionalização sanitária evitou perdas comerciais potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano, com base nas exportações brasileiras de 2025. Entre os mercados com maior impacto econômico mitigado estão a China, com cerca de US$ 485 milhões em perdas evitadas; a Arábia Saudita, com US$ 293 milhões; e a Argentina, com US$ 57 milhões.
A estratégia ganhou força depois de um foco da doença no Rio Grande do Sul, em julho de 2024. Desde então, o Brasil intensificou negociações para que os parceiros comerciais adotassem restrições proporcionais às áreas afetadas, conforme os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal. Em 2024, por exemplo, a China suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil; na ocorrência de 2026, o país limitou a restrição a Santa Catarina.
O Serviço Veterinário Oficial conduz investigações epidemiológicas, ações de contenção e vigilância sanitária. O governo federal também mantém contato com os países importadores para fornecer informações técnicas e negociar medidas comerciais proporcionais à localização dos focos e aos riscos identificados.


