Operação Contenção: PF aciona STF após falha no acesso a 945 vídeos
Operação Contenção: PF aciona STF após falha no acesso a 945 vídeos. A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 24 de fevereiro, um ofício relatando que não conseguiu periciar os registros audiovisuais da Operação Contenção porque a Polícia Civil do Rio de Janeiro disponibilizou os 945 arquivos apenas em nuvem, sem permissão para download.
Perícia suspensa por limitação técnica
No documento, o diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, informou que a reprodução on-line inviabiliza a extração dos arquivos para fins de preservação, análise de viabilidade técnica e eventual realização de perícia. Ele solicitou que o material seja entregue em mídia física, conforme determinações anteriores do STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.
Letalidade e denúncias sob investigação
Deflagrada em outubro de 2025 contra a facção Comando Vermelho, a Operação Contenção resultou em 122 mortes. Parte dos corpos foi abandonada em área de mata no Complexo da Penha, e outra parte foi organizada em fila na principal via da Vila Cruzeiro. Na ocasião, familiares e agentes comunitários relataram indícios de execução.
A ADPF 635, julgada em 2020, impôs limites à atuação policial em comunidades, determinando uso obrigatório de câmeras corporais e preservação de cenas de crime. Mesmo assim, a Polícia Civil admitiu que menos da metade dos agentes empregou os equipamentos durante a operação, apontando falhas técnicas.
Pedidos de órgãos de controle
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União requisitaram ao STF a verificação do cumprimento das regras, reforçando a necessidade de acesso completo às gravações. Há expectativa de que, entre os vídeos, estejam registros das necropsias dos mortos, solicitados pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.
Acusações contra policiais
Após análise inicial de imagens disponíveis, o Ministério Público Estadual denunciou seis policiais militares à Auditoria da Justiça Militar por peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal, roubo e recusa de obediência. As investigações indicam invasões de residências sem mandado, ameaça a moradores e tentativa de ocultar as câmeras acopladas às fardas.
Próximos passos no Supremo
Caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF 635, decidir se acolhe o pedido da PF e determina à Polícia Civil novo envio dos arquivos em formato que permita perícia. Em casos anteriores, o STF já reforçou a obrigação de armazenamento seguro das imagens, conforme destaca o Supremo Tribunal Federal.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
