Operação Compliance Zero: seis meses da maior fraude bancária chega ao seu sexto mês de investigações, expondo o que a Polícia Federal aponta como o maior golpe já registrado contra o Sistema Financeiro Nacional, com potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares.
Seis fases desmantelam rede de fraudes e corrupção
Desde 18 de novembro de 2025, quando a primeira etapa foi deflagrada, a Operação Compliance Zero já executou seis fases. Ao todo, o Supremo Tribunal Federal autorizou 21 prisões temporárias ou preventivas, 116 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens que somam R$ 27,71 bilhões.
O principal alvo é o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, suspeito de chefiar um esquema de criação e venda de carteiras de crédito sem lastro financeiro. As investigações tiveram início no começo de 2024 a pedido do Ministério Público Federal.
Etapas e alvos principais
Primeira fase (18/11/2025): Vorcaro e outros seis executivos foram presos. A PF já apurava a venda de títulos sem garantia ao Banco de Brasília (BRB), prática detectada pelo Banco Central (BC).
Segunda fase (14/01/2026): 42 mandados de busca, bloqueio de R$ 5,7 bi e prisão do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, no momento em que tentava viajar aos Emirados Árabes.
Terceira fase (04/03/2026): Vorcaro voltou a ser detido após a PF descobrir mensagens que indicavam plano para simular assalto contra o jornalista Lauro Jardim. O líder de sua suposta milícia, Luiz Phillipi “Sicário” Mourão, morreu após tentativa de suicídio na prisão.
Quarta fase (16/04/2026): O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso, acusado de negociar R$ 146,5 mi em propina em troca de benefícios ao Banco Master.
Quinta fase (07/05/2026): Mandados alcançaram o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de receber até R$ 500 mil mensais para defender interesses do Master no Congresso, inclusive a chamada “Emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Sexta fase (14/05/2026): Prisões de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e do policial federal Anderson Lima, apontado por repassar dados sigilosos. Dois dias depois, Victor Sedlmaier foi capturado em Dubai, em ação conjunta com a Interpol.
Impacto ao sistema financeiro e ação do Banco Central
Após a primeira fase, o BC decretou a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master, entre elas Letsbank e Will Financeira, e tornou indisponíveis os bens dos controladores. O Fundo Garantidor de Créditos já desembolsou cerca de R$ 49,5 bi para ressarcir clientes, valor recorde na história do mecanismo de proteção.
Nomes ligados à investigação
Além de executivos do Master, a operação atinge agentes públicos de alto escalão – diretores do BC, policiais federais em atividade e aposentados – e figuras políticas, como o senador Ciro Nogueira e, mais recentemente, o senador Flávio Bolsonaro, citado em gravações reveladas pelo portal The Intercept Brasil sobre suposto financiamento de filme.
Próximos passos
Com o avanço das análises de dados apreendidos e o cumprimento de novos mandados, a PF não descarta novas fases. O STF mantém sob sigilo parte das provas, e os investigados negam irregularidades ou aguardam decisão judicial sobre pedidos de liberdade.
Ao completar meio ano, a Operação Compliance Zero reforça debates sobre supervisão bancária, transparência no Congresso e mecanismos de proteção ao correntista.
Quer entender como outras ações da PF impactam o cenário jurídico? Acesse a editoria de Justiça do nosso portal e continue bem-informado em GiropelaBahia – Justiça.
Crédito da imagem: EBC
Fonte: Agência Brasil
