Editorial classificou o aumento de 15,04% como 'ardil eleitoreiro' e criticou o timing. O piso subiu de R$600 para R$691 (média de R$675 para R$777) e o primeiro pagamento com novo valor será em outubro.
O jornal O Globo classificou como “ardil eleitoreiro” o reajuste de 15,04% no Bolsa Família anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em editorial publicado nesta sexta-feira, 18, o veículo questionou o momento escolhido para a correção do benefício, que terá o primeiro pagamento com os novos valores em outubro, entre os dois turnos das eleições.
O decreto publicado pelo governo elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado passará de R$ 675 para R$ 777. A correção considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor entre março de 2023 e agosto de 2026.
“Há um paradoxo incontornável na última ‘bondade’ eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”
No editorial, O Globo observa que o reajuste foi publicado 17 dias antes do primeiro turno e recorda que, em 2022, Lula criticou aumento de benefícios promovido pelo governo anterior. O jornal citou ainda julgamento do Supremo Tribunal Federal de 2024, que considerou inconstitucionais dispositivos da Emenda Constitucional 123/2022 que permitiram a criação e ampliação de benefícios sociais naquele ano eleitoral, por violarem a igualdade de oportunidades entre candidatos.
Ao mesmo tempo, o editorial ressalta que o caso agora envolve uma correção pelo índice de preços e não a criação de um novo programa — argumento que o governo apresenta para justificar a medida.
“A promessa de manter o gasto dentro dos limites do arcabouço fiscal é ardilosa”
O jornal questionou também a justificativa fiscal apresentada pelo Executivo, segundo a qual a despesa será acomodada dentro das regras fiscais por meio de redução nas projeções de gastos previdenciários. O editorial afirmou que essa manobra daria uma impressão falsa de responsabilidade e chamaria atenção para o oportunismo eleitoral do ato.
De acordo com dados divulgados pelo governo, a correção terá impacto de R$ 5,8 bilhões nas despesas de 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027. O Executivo afirma que o reajuste recompõe a perda do poder de compra dos benefícios desde março de 2023. A medida representa a primeira atualização dos valores do atual modelo do Bolsa Família desde sua retomada, em 2023.
