O general da reserva afirmou em entrevista que a aproximação com Donald Trump ameaça a soberania do Brasil. Chamou a busca de apoio externo de 'um absurdo' e criticou o senador Flávio Bolsonaro.
O general da reserva Santos Cruz acusou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados de se submeterem aos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita em entrevista ao canal Calma Urgente, no YouTube, divulgada nesta sexta-feira (16), quando o militar afirmou que a aproximação com o governo norte-americano ameaça a soberania brasileira.
“A busca de apoio externo, da maneira como foi feita, é um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil. É submissão voluntária”
Santos Cruz também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, ao comentar uma foto publicada pelo parlamentar em maio de 2026, durante encontro com Trump na Casa Branca, em Washington. Na avaliação do general, a imagem transmite uma posição de inferioridade diante do presidente norte-americano. A foto, segundo o material divulgado, mostra Flávio Bolsonaro acompanhado de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo em encontro com Donald Trump na Casa Branca.
O general criticou ainda políticos brasileiros que utilizam bonés com a frase “Make America Great Again” (MAGA), lema associado ao movimento político de Trump. Em tom duro, Santos Cruz alertou para o efeito do fanatismo político sobre a percepção da realidade e sobre a tolerância a condutas reprováveis.
“O fanatismo apaga tudo. Apaga se você é corrupto, se você é pedófilo, se você é traidor. É o sentimento mais forte que existe na humanidade, mais forte que o amor familiar, que o vínculo de amizade”
Na entrevista, o general também fez críticas à atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que foi aos Estados Unidos para buscar apoio político e negociar sanções contra o Brasil enquanto ainda exercia mandato parlamentar. Para Santos Cruz, a iniciativa ultrapassa a busca por apoio político e representa uma tentativa de interferência estrangeira nos assuntos brasileiros.
“A busca de interferência é traição. Nem sei se tem na legislação um enquadramento para isso. Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo. Isso aí não é direita, isso se chama vigarice”
O general afirmou também que a aproximação com os Estados Unidos pode ser usada para fortalecer um projeto eleitoral liderado pela família. Ao comentar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Santos Cruz questionou a autonomia do senador em relação ao pai e avaliou que a postulação integra um projeto familiar.
“Qualquer brasileiro pode se candidatar, como se candidatou o candidato Flávio Bolsonaro. Agora, isso faz parte de um projeto familiar. Eu conheço o pai, trabalhei com ele totalmente despreparado para a função, por isso que não deu certo. Não tinha a mínima condição de ser presidente. Teve toda oportunidade para dar certo, mas não deu porque não tinha preparo suficiente, não conhecia nada de nada. É uma característica de covardia pessoal. Agora, o filho mais velho também não tem identidade; ele representa o interesse do pai, o interesse familiar”
As declarações de Santos Cruz chegam num momento em que a relação entre atores políticos brasileiros e o governo dos Estados Unidos tem sido discutida publicamente. O general apontou que a busca de apoio externo, do modo como foi feita, representa um risco para a soberania nacional e pode influenciar o cenário eleitoral.
O conteúdo da entrevista foi divulgado nesta sexta-feira (16), data em que as falas repercutiram em diferentes ambientes políticos e na imprensa.
