O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela há mais de três dias subiu para 1.450, com dezenas de milhares de pessoas ainda desaparecidas. O desastre, que ocorreu na quarta-feira (24), teve magnitudes de 7,2 e 7,5 e é considerado um dos mais devastadores da história da América Latina.
A cidade de La Guaira, localizada a 40 km de Caracas, foi uma das mais impactadas, apresentando cenas de destruição semelhantes a uma zona de guerra. Muitos edifícios desabaram, transformando-se em montanhas de escombros.
Milhares de socorristas, incluindo familiares e voluntários, estão trabalhando incessantemente em busca de sobreviventes. Apesar dos esforços, a esperança diminui a cada hora que passa. A população local expressa indignação pela lentidão e escassez de ajuda do governo.
Héctor Aguilera, de 60 anos, perdeu quatro familiares no desastre. Ele declarou:
“Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades. Não temos esperanças, o que me restam são as lembranças.”
O último balanço oficial reporta também 3.150 feridos. No entanto, o governo evita mencionar o número de desaparecidos, enquanto as Nações Unidas estimam que mais de 50 mil pessoas estejam nessa situação.
José Miguel Escobar, de 63 anos, que está ajudando na remoção dos escombros, afirmou:
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“Não acredito que haja chances de vida. Lamentável, mas essa é a realidade.”
A presidente Delcy Rodríguez anunciou que 33 pessoas foram resgatadas com vida, incluindo um menino de 11 anos. A situação é crítica, e a ONU estima que os terremotos podem afetar quase sete milhões de pessoas, com danos materiais que podem chegar a 6,7 bilhões de dólares.
Os relatos de destruição são devastadores. Jorge Rodríguez, chefe da Assembleia Nacional, informou que 189 edifícios colapsaram completamente e que o total de imóveis afetados chega a 774. A população de La Guaira, que já havia enfrentado uma tragédia similar em 1999, agora se vê cercada pela dor e pela incerteza.
O governo militarizou a região e impôs restrições para que socorristas e médicos possam acessar as áreas afetadas, o que gerou revolta entre aqueles que tentam ajudar. Carlos Itriago, um socorrista, criticou:
“Uma permissão para salvar vidas, imagina só.”
Enquanto isso, a solidariedade internacional se manifesta, com 24 países enviando mais de 2.700 socorristas e 521 toneladas de ajuda humanitária. Os Estados Unidos também se mobilizaram, oferecendo 150 milhões de dólares e apoio logístico.
Apesar de todos os esforços, muitos ainda permanecem sem assistência, e famílias de desaparecidos bloqueiam rodovias exigindo ajuda. O cenário é desolador e a recuperação levará tempo, enquanto a população se agarra à esperança de encontrar seus entes queridos.
