Negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA avançam em Abu Dhabi
Negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA avançam em Abu Dhabi, marcando a primeira reunião trilateral desde a invasão russa de 2022. O encontro, confirmado na madrugada de 23 de janeiro de 2026, ocorre na capital dos Emirados Árabes Unidos e tem como foco o controle de territórios no leste ucraniano.
Primeira mesa trilateral desde o início do conflito
A iniciativa ganhou corpo depois de conversas no Kremlin que reuniram o presidente russo Vladimir Putin, o enviado especial dos Estados Unidos Steve Witkoff e o empresário Jared Kushner. Segundo o conselheiro diplomático russo Yuri Ushakov, ficou acertado que um grupo de trabalho trilateral sobre segurança se instalaria imediatamente em Abu Dhabi.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre reuniões presenciais entre autoridades russas e ucranianas. Sabe-se, porém, que a pauta inclui as concessões territoriais solicitadas por Moscou e a busca de garantias de segurança para Kiev, pontos considerados cruciais para um eventual armistício.
Delegações já instaladas nos Emirados
Do lado russo, a delegação é liderada pelo general Igor Kostyukov, do Estado-Maior das Forças Armadas. O Kremlin informou que o grupo é composto exclusivamente por representantes do Ministério da Defesa.
A Ucrânia enviou o secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov; o chefe de gabinete Kyrylo Budanov; o vice-chefe de gabinete Serhiy Kyslytsia; e o chefe do Estado-Maior, general Andriy Gnatov. Em entrevista, o presidente Volodymyr Zelensky classificou a questão do Donbass — que engloba Donetsk e Lugansk — como “fundamental” nas conversas.
Washington assume papel de mediador
Representando os Estados Unidos, Steve Witkoff atua como mediador ao lado de Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump. Zelensky afirmou que o acordo com Washington para garantias de segurança está “praticamente concluído”, aguardando apenas a definição de data e local para assinatura.
Em Davos, na véspera da viagem, Zelensky criticou a “Europa fragmentada” e cobrou maior unidade dos parceiros ocidentais. O líder ucraniano relatou a necessidade de reforçar sistemas de defesa aérea e delinear projetos de reconstrução pós-guerra, temas também abordados nas reuniões em Abu Dhabi.
Concessões territoriais dominam a pauta
Analistas veem o controle do leste da Ucrânia como o principal impasse. Moscou insiste em manter a iniciativa militar até que seus objetivos sejam alcançados, postura reiterada por Yuri Ushakov. Sem resolver a disputa territorial, alertou o conselheiro, “não se deve contar com um acordo de longo prazo”.
Organizações como a OSCE acompanham de perto o processo, destacando que qualquer cessar-fogo duradouro exigirá monitoramento internacional e compromissos verificáveis de ambos os lados.
Perspectivas para um possível armistício
Embora não haja previsão de anúncio imediato, o fato de as três partes sentarem-se à mesma mesa é visto como passo relevante. Observadores apontam que a presença de militares de alto escalão indica disposição para discutir aspectos técnicos de segurança, logística e fronteiras.
Se houver avanços, especialistas acreditam que um acordo preliminar poderá incluir corredores humanitários, troca de prisioneiros e mecanismos de verificação internacionais, preparando terreno para negociações políticas mais amplas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
