Negociação entre EUA e Irã vira “piada”, diz embaixador iraniano
Negociação entre EUA e Irã passou a ser tratada como “piada mundial” pela própria população iraniana, segundo o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri. Em entrevista concedida em 30 de março de 2026, o diplomata afirmou que manifestações nas ruas pressionam Teerã a rejeitar qualquer promessa de Washington.
Pressão popular e desconfiança
De acordo com Ghadiri, a opinião pública “insta seriamente” o governo a não se “deixar enganar” pelos Estados Unidos. O embaixador disse que o então presidente norte-americano Donald Trump “negocia consigo mesmo” e classificou a postura de Washington como um ciclo de “guerra, cessar-fogo, negociação e nova guerra” que nenhum país independente aceitaria.
Mudanças após a morte de Ali Khamenei
O representante também comentou o cenário interno após a morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida em fevereiro de 2026, quando seu filho Seyyed Mojtaba Khamenei assumiu o topo da hierarquia política iraniana. Mesmo sob sanções, destacou Ghadiri, a população permanece mobilizada “sob chuva, neve e frio” em defesa da soberania nacional.
Danos a Israel e respostas “calculadas”
Questionado sobre a efetividade dos ataques iranianos contra alvos israelenses, o diplomata afirmou que Tel Aviv sofreu “danos significativos”. Ele reiterou que as ações militares seguem princípios religiosos que proíbem retaliações com armas químicas, lembrando o precedente da Guerra Irã-Iraque, quando Teerã se absteve desse tipo de represália apesar de ter sido alvo de gás tóxico.
Universidades e cientistas na mira
Ghadiri condenou bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra universidades iranianas, citando a tradição acadêmica do país, cuja origem remonta à Universidade Jodhichapur, fundada há quase dois milênios. Para o embaixador, esses ataques “demonstram desprezo” pelas ciências e procuram estancar o avanço tecnológico iraniano.
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Eixo da Resistência não seria “proxy”
Sobre grupos como Hezbollah, Houthis e milícias iraquianas, o embaixador rejeitou o rótulo de “proxies” do Irã. Ele argumentou que tais organizações são movimentos nacionais que surgiram para enfrentar ocupações estrangeiras, posição reforçada por análises do Council on Foreign Relations, que aponta motivações locais em suas agendas.
Cobertura da imprensa brasileira
Ghadiri elogiou a “maioria” dos veículos de comunicação do Brasil, mas criticou opiniões que, segundo ele, incentivam ataques contra civis, citando editorial do jornal O Estado de S. Paulo.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
